Formação continuada de pedagogos em Aracati/CE: o ensino da matemática na perspectiva da educação crítica?
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
A Matemática é vista como uma ferramenta para contestar opressões e promover a educação em valores e direitos sociais (D'Ambrosio; Lopes, 2015). As formações continuadas podem estimular a criatividade dos educadores, evitando a submissão a regras que violam a dignidade humana. Contudo, relatos de professores revelam inquietações sobre como essas formações estão sendo organizadas, motivando a indagação central desta pesquisa: a formação continuada oferecida pela CREDE 10 possibilita uma prática de ensino de Matemática alinhada à Educação Crítica? A escolha pela docência envolve uma dimensão cultural transmitida socialmente, levando professores a reproduzirem, muitas vezes inconscientemente, crenças e valores sobre a Matemática herdados de sua própria formação (Cezari; Grando, 2008). Nesse contexto, vê-se a necessidade de tecer algumas relações existentes entre a formação continuada de professores e a cultura escolar no cenário contextual da região Nordeste, especificamente no estado do Ceará, na região nordeste do Brasil. Buscando novas compreensões acerca da temática, a realização desta pesquisa é de natureza qualitativa e mobiliza a História Oral (Morais, 2012) como metodologia de investigação, visando a considerar as singularidades da temática ora estudada. A pesquisa é qualitativa (D’Ambrosio, 2009) e exploratória (Gil, 2002), utilizando a entrevista como instrumento principal para a coleta de dados. Após a realização das entrevistas, o material foi transcrito, textualizado, revisado pelos colaboradores (Alberti, 2004; Morais, 2012) e, posteriormente, analisado qualitativamente por meio de uma síntese qualitativa e uma análise temática dos conteúdos (Marconi; Lakatos, 2003), buscando convergências e divergências que permitam compreender a formação continuada para o ensino de Matemática sob a perspectiva da Educação Matemática Crítica a luz dos estudos de António Nóvoa (1992); Maurice Tardif (2002); Morais (2012); Ole Skovsmose (2001, 2012, 2014); Toillier (2013); Ubiratan D’Ambrosio (1996, 2009) e outros autores. Participam da pesquisa sete pedagogos de diferentes polos do município e duas formadoras, a fim de compreender como a formação continuada é conduzida e percebida. O acesso aos participantes foi realizado por meio de “critério de rede”, com indicações feitas pelos próprios colaboradores (Toillier, 2013). Destaca se que revisitar as memórias permite atribuir novos significados às experiências passadas, contribuindo para transformações no ecossistema social e educacional. Constatou-se que, embora as formações sejam regulares e influenciadas pelo Programa Alfabetização na Idade Certa (PAIC) e MAIS PAIC, são priorizadas abordagens tradicionais focadas em avaliações externas, limitando a autonomia docente e a adoção de práticas críticas e contextualizadas. Apesar de alguns esforços individuais, a lógica predominante reforça uma visão tecnicista, distante dos princípios da Educação Matemática Crítica (EMC). O estudo defende a necessidade de repensar o modelo de formação, valorizando a autonomia, a reflexão crítica e a integração entre teoria e prática. Propõe se, para futuras pesquisas, a observação direta das formações e da prática docente para aprimorar políticas públicas que efetivamente promovam a Educação Matemática Crítica. Palavras-chave: Formação de professores, educação matemática, cultura escolar, Educação Matemática Crítica.

