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Itinerários do cuidado em saúde mental no contexto da atenção primária

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A saúde mental é apontada como um desafio global entre os países, pensada a partir de políticas públicas e programas capazes de garantir o acesso das pessoas aos cuidados de saúde e uma estrutura de serviços adequada. A saúde mental na atenção primária ainda representa um segmento com poucos investimentos financeiros e sofre com a escassez de recursos humanos qualificados para atuarem nesse campo. O presente estudo tem como objetivo geral analisar os itinerários do cuidado em saúde mental vividos por usuários e familiares no contexto da atenção primária. Estudo descritivo de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, realizado nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) vinculadas à rede municipal de Mossoró/RN e que dispõem da atuação de residentes. A coleta de dados se deu a partir da técnica de entrevista semiestruturada e por meio de um roteiro norteador, realizada com 13 participantes, sendo 11 usuários e dois familiares. Os dados foram interpretados com tratamento estatístico descritivo simples e análise de conteúdo temática de Bardin. Observa-se um perfil socioeconômico e educacional dos participantes do estudo predominado por mulheres (10/77%), na faixa etária entre 51 a 60 anos (5/38%), etnia parda (7/54%), estado civil solteiro (6/46%), renda de até um salário mínimo (8/62%), naturais de Mossoró (8/62%), com ensino fundamental incompleto (7/54%) e que se autodeclaram cristãs (12/92%). Quanto ao perfil clínico dos participantes, identificou-se como principal diagnóstico psiquiátrico os ligados aos transtornos de ansiedade (8/42%), entre as comorbidades destacam-se hipertensão, diabetes mellitus e outros, ambas com a mesma frequência (5/22%). A maioria acessa apenas o sistema público de saúde (7/54%), faz uso de medicamentos da classe de antidepressivos (10/36%) e não refere terapias não farmacológicas (6/40%). Foi identificado a persistência do modelo biomédico, em que o cuidado centra-se no tratamento da doença, focando principalmente no tratamento medicamentoso, por meio de renovação de receitas. Por isso a necessidade de mais estudos na área a fim de identificar os padrões e compreender melhor os perfis para traçar as melhores estratégias de acordo com cada região, aliado à qualificação e educação permanente dos profissionais de saúde e melhores investimentos na área, pensando na articulação de toda a rede de saúde.



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