Reação de acessos e híbrido de meloeiro à Macrophomina euphorbiicola
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
Devido às condições climáticas, como baixa pluviosidade e temperaturas elevadas, o Nordeste brasileiro apresenta grande potencial para a produção da cultura do meloeiro (Cucumis melo L.). Mas apesar do crescimento na produção e exportação, o melão possui muitos problemas fitossanitários associado ao modelo de cultivo (intensivo e contínuo), sendo a podridão de raízes e declínio de ramas (PRDR) um distúrbio provocado por um complexo de patógenos fúngicos, incluindo o gênero Macrophomina. As doenças provocadas pelas espécies desse gênero não possuem produtos químicos registrados para a cultura do meloeiro, restando apenas algumas práticas agronômicas como a biosolarização e semeadura direta para reduzir a incidência da doença. Dessa forma, dentre as medidas de controle do patossistema melão x Macrophomina, o controle genético é uma maneira estratégica no manejo das doenças. Diante dessa problemática fitossanitária e a identificação de nova espécie de Macrophomina, como M. euphorbiicola, já relatada em áreas comerciais de meloeiro no RN e CE, esse trabalho objetivou avaliar a reação de diferentes acessos e híbrido de meloeiro submetidos à isolados de M. euphorbiicola. O experimento foi realizado em casa de vegetação situada no município de Mossoró, utilizando o Delineamento Inteiramente Casualizado (DIC), com 8 repetições por tratamento e a unidade experimental constituída de uma planta por vaso. Os tratamentos foram constituídos por dois isolados de M. euphorbiicola (CMM2158 e A9P23) e 18 acessos (AC-18, AC-31, I-180, AM55, AC16B, AC34, AC01, AC53, I-115, I-162, AC-50, AC-17, I-136, C-32, I-199, PI 414723405 -PI 4147-, Ames31212 e Doublon) e o híbrido Natal RZ de meloeiro. Com 30 dias após a inoculação pelo método do palito de dente infestado, foram avaliadas a incidência, pela contagem de plantas com sintomas de PRDR, e a severidade da doença, avaliada seguindo a escala diagramática variando de 0 a 5, descrita por Ravf & Ahmad (1998). Foram avaliadas também as variáveis biométricas de comprimento da parte aérea (CPA) e radicular (CA), com auxílio de uma fita métrica (cm), e as massas fresca (MFR) e seca (MSR) de raízes e parte aérea (MFPA e MSPA), utilizando uma balança analítica (g). Para a reação das plantas ao patógeno utilizou-se da severidade média da doença agrupada em cinco classes de reação para cada tratamento variando de 0 a 5, descrita por Salari et al. (2012). Os dados de incidência e severidade da doença foram analisados através do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis no nível de probabilidade de 5% (p ≤0,05) e os biométricos, foram submetidos ao teste de Scott-Knott, ao nível de probabilidade de 5% (p≤0,05), utilizando o software Assistat, versão 7.7. Os resultados do estudo mostraram que dois acessos de meloeiro (AC 34 e Doublon) apresentaram incidência média igual a 0, assim como a severidade, 0. O acesso AC 34 e o Doublon inoculados com CMM2158 apresentaram médias de 17,9 e 21,0 cm (CR), 4,3 e 7,4 cm (CPA), 0,07 e 0,35 g (MFR), 0,02 e 0,07 g (MSR), 0,69 e 2,19 g (MFPA) e 0,17 e 0,39 g (MSPA), respectivamente. Já para os mesmos acessos inoculados com A9P23 apresentaram médias de 17,0 e 20,1 cm (CR), 7,1 e 11,8 cm (CPA), 0,09 e 0,37 g (MFR), 0,06 e 0,08 g (MSR), 0,60 e 3,22 g (MFPA) e 0,19 e 0,56 g (MSPA), respectivamente. Os dois acessos (AC 34 e Doublon) apresentaram-se como imunes para os dois isolados de M. euphorbiicola, podendo serem utilizados no melhoramento genético para se obter cultivares de meloeiro resistentes à PRDR causada pelo patógeno M. euphorbiicola.
