Argumentação em podcasts produzidos por adolescentes: contribuições para o ensino de oralidade
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Neste trabalho, objetivou-se analisar o funcionamento de estratégias argumentativas empregadas por alunos do 9º ano do Ensino Fundamental em podcasts produzidos a partir de uma proposta didática de intervenção voltada para o desenvolvimento da argumentação oral. Teoricamente, respaldou-se em estudos sobre a argumentação, especialmente aqueles desenvolvidos por Amossy (2008, 2011, 2018), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005) e Koch e Elias (2016). Baseou-se, também, em fundamentos da Linguística Textual (LT), apoiando-se em autores como Cavalcante (2016), Cavalcante et al. (2020), Cavalcante et al. (2022), Matos (2018), Carvalho (2018), dentre outros. Além disso, realizou-se discussões sobre ensino de argumentação, com destaque para as contribuições de Azevedo et al. (2023) e Silva (2013). No que tange à oralidade, debruçou-se sobre a ótica de autores como Marcuschi (2008, 2010) e Marcuschi e Dionísio (2007). Quanto às discussões sobre o podcast, baseamo-nos em Tigre (2021), Lopes (2015) e Luiz (2015). Metodologicamente, a investigação se configurou como uma pesquisa-ação, qualitativa e exploratória. Para a elaboração da proposta de intervenção, utilizou-se oficinas voltadas para a orientação e produção de podcasts por alunos de uma escola pública, cujas discussões foram motivadas pelo seguinte tema: “O uso do celular em sala de aula: aliado do aprendizado ou vilão da distração?”. O corpus foi constituído de 05 podcasts, gravados e publicados em uma plataforma de streaming e transcritos para fins de análise. As produções revelaram que, embora nem sempre de forma consciente e intencional, os adolescentes mobilizaram diferentes estratégias argumentativas, recorrendo a recursos linguísticos e paralinguísticos. Identificou-se a presença dos pilares retóricos (ethos, pathos e logos), bem como de elementos de intertextualidade e de referenciação, que contribuíram para a coesão e progressão dos textos orais. Apesar de alguns grupos não terem seguido integralmente o formato de podcast de entrevista, todos buscaram contextualizar o tema por meio de diferentes opiniões e pontos de vista. A experiência evidenciou, ainda, que práticas de oralidade planejadas podem favorecer o desenvolvimento da argumentação e da consciência crítica quanto aos diferentes usos da linguagem. Concluiu-se, portanto, que o trabalho com podcasts no espaço escolar constitui-se como uma prática pedagógica fértil para o aprimoramento da oralidade, possibilitando não apenas a produção de um gênero textual contemporâneo, mas também a formação de sujeitos críticos e reflexivos em suas escolhas discursivas.

