Integração aquícola-agrícola biossalina como estratégia de produção sustentável no semiárido
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A limitação hídrica em regiões semiáridas impõe restrições ao uso agrícola convencional, especialmente em função da salinidade das águas disponíveis, demandando estratégias que permitam o reuso total de recursos hídricos não convencionais. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar um modelo integrado de produção aquicultura–agricultura biossalino, envolvendo o cultivo de camarão marinho (Penaeus vannamei ) associado à irrigação agrícola com reuso de efluentes salinos, considerando seus efeitos sobre a produtividade agrícola, o desempenho zootécnico e os aspectos ambientais do sistema. A pesquisa foi desenvolvida em três etapas metodológicas, a partir das quais quatro artigos científicos foram elaborados. Na primeira etapa, objetivou-se analisar o estado da arte sobre sistemas integrados aquicultura–agricultura com uso de efluentes salinos, por meio de uma revisão sistemática da literatura, conduzida com base em estratégias de busca, critérios de seleção e análise de estudos publicados em bases científicas indexadas. A segunda etapa teve como objetivo caracterizar poços no município de Mossoró e avaliar o potencial de ampliação da produtividade biológica por meio da implementação de sistemas integrados biossalinos em áreas do semiárido municipal. Essa análise foi fundamentada em dados secundários do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), contemplando informações sobre condutividade elétrica, profundidade, vazão e finalidade de uso dos poços, o que permitiu a identificação de áreas com aptidão para a adoção de tecnologias produtivas adaptadas às condições semiáridas. Na terceira etapa, buscou-se testar o desempenho produtivo e ambiental de um sistema integrado biossalino, por meio de um experimento de campo conduzido sob quatro níveis de salinidade da água (0, 5, 7,5 e 10 PSU), avaliando respostas zootécnicas dos organismos aquícolas, produtividade agrícola das culturas irrigadas, parâmetros fisiológicos das plantas, indicadores ambientais do solo e da água, bem como a sustentabilidade do sistema. Os resultados indicaram desempenho zootécnico estável no componente aquícola em todas as salinidades avaliadas. No componente agrícola, observou- se produtividade diferenciada entre as culturas, com maior tolerância do capiaçu às salinidades mais elevadas e redução do desempenho produtivo da banana sob maiores concentrações salinas. A análise do solo indicou predominância de sodificação, caracterizada pelo aumento do sódio trocável e da percentagem de sódio trocável (PST), sem evidência de salinização, uma vez que a condutividade elétrica do solo permaneceu baixa ao longo do período avaliado. Esse comportamento esteve associado a restrições ao desempenho agrícola, especialmente em culturas mais sensíveis. A sustentabilidade do sistema integrado foi avaliada por meio de uma abordagem biofísica baseada em indicadores de eficiência de uso da água, produtividade total, eficiência proteica da água e impacto ambiental. Os resultados indicaram que a sustentabilidade do sistema foi limitada principalmente pela resposta agrícola à salinidade, enquanto o componente aquícola manteve desempenho zootécnico estável nas salinidades avaliadas. O uso de efluentes salinos não promoveu a salinização do solo, porém aumentou o risco de sodificação nos níveis mais elevados de salinidade, configurando um fator restritivo à produtividade agrícola. Conclui-se que o sistema integrado aquicultura–agricultura pode ser utilizado com alternativa em locais que já fazem descarte de água salinizada, no entnto devemos observar manejos adequados para que o sistema apresente viabilidade técnica e ambiental para o reuso total da água em regiões semiáridas, sendo a produtividade agrícola o principal fator limitante do sistema, em função da tolerância diferencial das culturas à salinidade, enquanto o componente aquícola não impôs restrições ao desempenho produtivo.

