Extração de biopolímeros da alga Dictyota mertensii e sua aplicação na obtenção de filmes e revestimentos para a conservação do maracujá amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa)
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
O consumo e descarte inadequados, aliados à lenta biodegradação dos plásticos convencionais, causam graves danos ambientais. Os bioplásticos, feitos de biopolímeros de fontes renováveis, como as macroalgas, são uma alternativa promissora. Neste trabalho, foi extraído alginato da Dictyota mertensii, uma alga encontrada na Costa Branca (RN e CE). Um Delineamento Central Composto (DCC) associado à Metodologia de Superfície de Resposta (MSR) foi empregado para otimizar o processo de extração de diferentes frações de alginato, considerando o tempo (X1), temperatura (X2) e concentração de Na₂CO₃ (X3) como fatores, e o rendimento de extração de alginato, teor de sulfato, viscosidade intrínseca, massa molar viscosimétrica, parâmetros de cor (L*, a*, b*), razão M/G e potencial antioxidante como variáveis de resposta. A análise de variância (ANOVA) e o teste F foram utilizados para verificar a significância estatística (p < 0,05, IC 95%), com R² ≥ 0,90. Em um segundo momento, o alginato extraído foi utilizado para produzir filmes (80% p/p alginato e 20% p/p glicerol), verificando-se a influência dos fatores sobre absorção de umidade, permeabilidade ao vapor de água, solubilidade, opacidade, cor, resistência à tração, alongamento na ruptura e módulo de elasticidade. Os modelos mostraram R² ≥ 0,85, sendo geradas superfícies de resposta. Para a produção de filmes, as condições ótimas foram 1,40 h, 55 °C e 0,36 mol.L⁻¹ de Na₂CO₃. Com essas condições, o alginato foi extraído novamente, e um planejamento de misturas do tipo simplex centroide foi empregado para formular filmes compostos por alginato, glicerol, cera de abelha e Tween 80 em 19 tratamentos diferentes. Os filmes foram caracterizados quanto a propriedades morfológicas, teor de umidade, ângulo de contato, solubilidade, permeabilidade ao vapor de água, cor, opacidade, resistência à tração, alongamento na ruptura e módulo de elasticidade. A matriz composta por 67,90% (p/p) alginato, 5,00% (p/p) glicerol, 8,50% (p/p) cera de abelha e 18,60% (p/p) Tween 80, presente no delineamento experimental, apresentou propriedades promissoras para aplicações em revestimentos de frutos. Os revestimentos foram então desenvolvidos e aplicados em maracujás amarelos (Passiflora edulis f. flavicarpa) para prolongar sua vida útil pós-colheita. Os frutos foram armazenados a 22,5 ± 0,5 °C e 65 ± 5% de umidade relativa, e avaliados por 10 dias. O revestimento desacelerou o metabolismo fisiológico do maracujá amarelo, estendendo sua vida útil e mantendo os parâmetros fisiológicos e de qualidade. Esses resultados demonstram o potencial do revestimento para conservar a qualidade do maracujá amarelo e promover a sustentabilidade no armazenamento de frutas.

