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Preconceito linguístico em livro didático de Língua Portuguesa do Ensino Médio

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Durante muito tempo, acreditou-se que a língua era homogênea e individual, o que fez com que uma de suas variedades se tornasse padrão e fosse considerada como a única forma correta a ser utilizada pelos falantes de dada comunidade linguística. Porém, após avanços nos estudos da linguagem, sobretudo de base sociolinguística, passou-se a defender que a língua é heterogênea, representada por um conjunto de variantes, e resultante de constantes processos de variação e de mudança. Apesar disso, como resquício de uma concepção mais estruturalista da língua, os falantes que utilizam variedades de menos prestígio social, ou seja, variedades que se afastam daquela concebida como padrão, ainda continuaram sendo vítimas de preconceito linguístico, discriminação e xenofobia. Frente a isso, faz-se necessário um investimento político e educacional relativo a esse tema, no sentido de educar os falantes quanto ao respeito às variedades linguísticas. Nesse sentido, nosso estudo tem por objetivo analisar como a questão do preconceito linguístico é abordada no livro didático da coleção Se liga nas linguagens, do componente curricular Língua Portuguesa, direcionado para as três séries do Ensino Médio de escolas públicas brasileiras, verificando as sugestões de tratamento conceitual para o preconceito e as variedades linguísticas no contexto escolar, bem como observando se as atividades didáticas presentes propõem um trabalho que contribua com a discussão e o enfrentamento dessa temática. Metodologicamente, nossa investigação se enquadra como uma pesquisa qualitativa, de método documental e de caráter descritivo, utilizando como fundamentação teórica autores como Marcos Bagno (2007), Bortoni Ricardo (2005), Zilles e Faraco (2015), entre outros. A partir da análise, foi observado que, embora o livro não trate teoricamente sobre a definição, causas e consequências do preconceito linguístico em si, problematiza uma discussão a respeito em diferentes conteúdos, a partir, sobretudo, da reflexão sobre variação linguística, apresentando a linguagem como fenômeno social sensível aos contextos de uso, a fim de combater o preconceito linguístico.



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