Produção de biossurfactantes por microrganismos de ambientes contaminado por petróleo
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O derramamento de petróleo constitui uma das principais fontes de contaminação dos ecossistemas marinhos e costeiros, devido à elevada persistência dos hidrocarbonetos no ambiente e aos impactos ambientais, sociais e econômicos associados a esses eventos. Nesse contexto, a biorremediação destaca-se como uma alternativa sustentável para a recuperação de áreas contaminadas, empregando microrganismos capazes de degradar hidrocarbonetos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial de produção de biossurfactantes por bactérias isoladas de sedimentos marinhos contaminados por petróleo, visando à identificação de cepas com potencial para aplicação em processos de biorremediação. Para isso, foram utilizadas seis cepas bacterianas pertencentes à coleção do Laboratório de Biotecnologia e Microbiologia Ambiental (LABIOMA) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), previamente isoladas de sedimentos contaminados pelo derramamento de petróleo ocorrido na praia de Emanuelas, município de Tibau, Rio Grande do Norte. As cepas foram reativadas em meio Brain Heart Infusion (BHI), cultivadas em meio mineral Bushnell-Haas suplementado com glicerol e extrato de levedura como fontes de carbono e nitrogênio, respectivamente, e submetidas a condições de salinidade compatíveis com seu ambiente de origem. A produção de biossurfactantes foi avaliada por meio dos ensaios de índice de emulsificação após 24 horas (E24), colapso da gota e espalhamento de óleo, empregando controles positivos e negativos para validação dos resultados. As cepas apresentaram perfis distintos de atividade tensoativa e emulsificante. Entre os isolados avaliados, a cepa 1.8 destacou-se por apresentar resultados positivos, consistentes e reprodutíveis nos três ensaios, alcançando índice de emulsificação superior a 50% e elevada capacidade de deslocamento da película de óleo, evidenciando elevado potencial para a produção de biossurfactantes. A cepa 1.1 apresentou resultados inconsistentes, com atividade detectada apenas em parte das repetições e dos ensaios realizados, enquanto as demais cepas não apresentaram evidências de produção significativa de compostos tensoativos nas condições experimentais avaliadas. Os resultados obtidos evidenciam o potencial biotecnológico da cepa 1.8 para estudos futuros de otimização das condições de cultivo, quantificação da produção, isolamento, purificação e caracterização química dos biossurfactantes produzidos, visando à sua aplicação em processos de biorremediação de ambientes contaminados por petróleo. Dessa forma, este trabalho contribui para a prospecção de microrganismos de interesse biotecnológico e reforça o potencial de bactérias oriundas de ambientes contaminados como fonte de biossurfactantes para aplicações ambientais.

