DISCURSOS SOBRE SEXUALIDADES DOS DISCENTES SURDOS DE UMA UNIVERSIDADE INTERIORANA POTIGUAR
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Socialmente os surdos e outros deficientes são lidos como sujeitos que não experienciam suas sexualidades e consequentemente não refletem sobre tais sexualidades. Pensando nesta questão, o presente trabalho busca, além de desmistificar essa percepção excludente e estigmatizadora, refletir sobre os discursos da temática sexualidades dos sujeitos surdos discentes de uma universidade interiorana potiguar, problematizando de forma dialógica os discursos expressos. Para isso, a partir de uma abordagem descritiva interpretativa, aplicamos entrevistas com cinco interlocutores, compostas por perguntas abertas e fechadas, realizadas através do WhastApp e gravadas com as devidas autorizações. Como utilizamos a Libras na comunicação, posteriormente traduzimos as falas para o português. Na construção de nosso aporte bibliográfico e reflexão teórica, dialogamos com Volochinov (2013, 2017) e Bakhtin (2016) acerca da linguagem e dos discursos, com Skliar (2001), Strobel (2008, 2009), Capovilla e Raphael (2004) e Quadros (2008) sobre os estudos surdos, e por último com Butler (2018), Foucault (2013) e Louro (1997) para pensarmos os estudos de sexualidades. A partir das análises é possível romper com o estereótipo de que os surdos não possuem experiências, vivências e compreensões em torno das sexualidades. O estudo realizado aponta que os sujeitos surdos, apesar de não terem aprofundamento no tema das sexualidades, produzem discursos de empatia e de respeito à diversidade social e sexual. Foi possível constatar ainda que a universidade é o principal lócus das discussões sobre o tema para eles, contribuindo para o aprendizado desses futuros professores de Libras, que se dá, sobretudo, através da língua de sinais, mostrando a importância das experiências visuais. Por fim, eles direcionam que é na aprendizagem de novos conhecimentos sobre questões sociais, como a diversidade sexual e de gênero, que há um caminho de enfrentamento à ignorância e ao preconceito, já que, para os entrevistados, o ódio é ocasionado pela desinformação.

