Modelo multicritério para avaliação do risco de escassez de água de municípios do semiárido brasileiro
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A escassez hídrica é uma problemática multidimensional que impacta diretamente na vida humana e no desenvolvimento econômico ao redor do mundo. Desse modo, a gestão eficiente dos recursos hídricos torna-se vital para que hajam avanços na busca por erradicar o risco de escassez de água. Sendo a tomada de decisão o elemento central de uma boa gestão, os métodos de Apoio Multicritério a Decisão (AMD) destacam-se como ferramentas de apoio à decisão por abarcar critérios múltiplos e conflitantes. Aliados às técnicas de Business Analytics (BA) para resolução de problemas com base em dados, os modelos multicritério podem proporcionar decisões de maior confiabilidade e robustez. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo avaliar o risco de escassez de água nos municípios do semiárido brasileiro por meio de uma abordagem multicritério de forma a superar as limitações do ISH-U. A relevância do estudo justifica-se pela criticidade da questão hídrica no semiárido, região que concentra parcela importante da população brasileira; bem como uma lacuna existente de trabalhos que tratem da temática utilizando-se de abordagens multicritério e de business analytics. Metodologicamente, o estudo propõe uma abordagem baseada no método TOPSIS-SORT, avaliando 1407 municípios do semiárido a partir de cinco critérios. Os resultados demonstram um cenário com alto volume de municípios classificados em risco médio de escassez e nenhum considerado em situação de baixo risco – o que evidencia a criticidade do contexto analisado. Destacam-se os municípios de Barreiras/BA e Cariús/CE como os de melhor e pior desempenho em relação à propensão à escassez, respectivamente. A insuficiência produtora, distribuição ineficiente, demanda exacerbada, distância elevada de reservatórios, cobertura ineficaz do abastecimento e renda populacional baixa aparecem como fatores críticos que elevam a vulnerabilidade hídrica dos municípios. Em geral, observam-se esforços sendo empreendidos em cada estado a fim de fortalecer a gestão hídrica em meio às dificuldades enfrentadas. Em comparação ao ISH-U, a abordagem proposta mostra-se mais adequada devido à sua abrangência de novas dimensões de análise que impactam de forma direta na problemática. Por fim, a realização do processo de análise de sensibilidade para validação do modelo apontou estabilidade e confiabilidade nos dados gerados. Dessa forma, os resultados alcançados apresentam informações relevantes para gestores hídricos, stakeholders, governantes e a sociedade em geral sobre o quadro de vulnerabilidade hídrica do semiárido. Espera-se que os achados do estudo forneçam subsídios para tomada de decisão no combate à escassez hídrica, bem como permitam um avanço na temática dentro da literatura.

