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Análise espaço-temporal da expansão da carcinicultura em áreas de manguezal no estuário do Rio Pirangi-CE

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Esse trabalho teve como objetivo analisar a ocupação de manguezais nos estuários dos municípios cearenses Parajuru e Fortim, localizados no rio Pirangi, em razão do crescimento da atividade da carcinicultura, nos últimos 40 anos. Foram utilizadas imagens dos satélites de sensoriamento remoto Landsat 5 e Landsat 8, referentes aos anos de 1985, 2005 e 2025.Para a avaliação do uso do solo, foram calculados os índices espectrais Normalized Difference Vegetation Index (NDVI) e Normalized Difference Water Index (NDWI) no software QGIS , utilizando a ferramenta Calculadora Raster. A partir desses índices, realizou-se a vetorização manual das classes e o cálculo das áreas ocupadas por manguezal, apicum, corpos d’água e viveiros. Os resultados mostraram uma redução das áreas do estuário e o crescimento de fazendas de camarão contínuo ao longo das décadas analisadas e perda principalmente da área de apicum. Em 1985, os viveiros ocupavam apenas 73,19 ha, enquanto os apicuns representavam 579,03 ha, os cursos d’água 623,37 ha e os manguezais 78,67 ha. Já em 2005, os viveiros se expandiram para 715,19 ha, refletindo um aumento de 876%, já os cursos d’água sofreram uma redução de 73%. Em 2025, os viveiros atingiram 993,46 ha, representando cerca de 78% da área analisada, enquanto os apicuns foram quase completamente eliminados. Dessa forma, evidenciou-se o crescimento desordenado dos viveiros e o comprometimento da circulação hídrica, apontando para um processo de degradação ambiental progressiva chegando a quase extinguir o ambiente estuarino. Embora tenha sido registrada uma expansão da vegetação de mangue, ela ocorreu em faixas estreitas e fragmentadas, o que pode limitar sua função ecológica plena por causa de ações antrópicas. A situação observada revela a necessidade urgente de planejamento territorial, fiscalização ambiental e políticas públicas de ordenamento da aquicultura, para garantir a sustentabilidade ecológica e socioeconômica da região.



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