Ontogenia morfofuncional do coração em tartarugas amazônicas do gênero podocnemis (testudine: podocnemididae)
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O coração é o primeiro órgão que se desenvolve nos vertebrados, seguindo inicialmente um padrão morfogenético básico. No entanto, ao longo da ontogenia, surgem variações nos processos de septação e nos mecanismos morfológicos que regulam a formação dos septos cardíacos. O desenvolvimento do sistema de condução elétrico encontra-se intimamente associado a esses processos, especialmente em repteis. Em répteis não crocodilianos como os quelônios, os mecanismos envolvidos na septação ventricular parcial e na organização ontogenética do sistema de condução cardíaco ainda não são completamente compreendidos. O presente estudo teve como objetivo descrever o desenvolvimento embrionário do coração e pós-eclosão de Podocnemis unifilis e Podocnemis expansa, integrando análises morfológicas, morfométricas (comprimento, largura, circunferência) estereológicas (densidade de volume) e imunohistoquímicas. Embriões foram coletados ao longo do período de incubação e processados para microscopia de luz e imunohistoquímica, utilizando marcadores como alfa-actina sarcomérica e CD57/HNK-1, para identificação do miocárdio funcional e células associadas ao sistema de condução elétrica. Para a análise pós-eclosão, filhotes foram amostrados mensalmente ao longo de 28 meses de vida, sendo realizados registros morfométricos e processamento dos corações para microscopia de luz e microscopia eletrônica de varredura. Os resultados demonstraram que o desenvolvimento cardíaco em Podocnemis envolve um processo coordenado de crescimento alométrico, remodelação estrutural e regionalização funcional, com formação progressiva de um miocárdio esponjoso, organização dos compartimentos cardíacos e estabelecimento de padrões morfofuncionais compatíveis com um coração parcialmente septado. A septação ventricular parcial mostrou-se diretamente associada à organização de um sistema de condução primitivo, estruturalmente contínuo com o miocárdio funcional nos estágios iniciais, e progressivamente regionalizado ao longo da ontogenia. Nos estágios pós eclosão, observou-se uma organização difusa do tecido condutor, predominantemente subepicárdica, associada a vasos coronários e plexos nervosos. O conjunto dos achados contribui para a compreensão ontogenética, funcional e evolutiva do sistema cardiovascular em quelônios de água doce, oferecendo um modelo integrativo do desenvolvimento cardíaco e da especialização elétrica em répteis não crocodilianos.

