Subcapitalização societária: prática, regulação e jurisprudência
| dc.contributor.advisor | Leite, Marcelo Lauar | |
| dc.contributor.advisormail | marcelo.lauar@ufersa.edu.br | |
| dc.contributor.author | Santos, Gabriel Braga dos | |
| dc.contributor.referee1 | Leite, Marcelo Lauar | |
| dc.contributor.referee2 | Medeiros, Rosangela Viana Zuza | |
| dc.contributor.referee3 | Lanzillo, Anderson Souza da Silva | |
| dc.coverage.spatial | Mossoró | |
| dc.date.accessioned | 2026-03-04T01:40:04Z | |
| dc.date.available | 2026-03-04T01:40:04Z | |
| dc.date.issued | 2026-02-26 | |
| dc.description.abstract | Este trabalho examina a subcapitalização societária material tomando como eixo a transferência assimétrica de riscos do empreendimento para credores e terceiros, e não pela mera análise do capital social nominal, tratando-a como fenômeno objetivo e estrutural que, regra geral, não estará caracterizado quando a operação preserva capacidade de cumprir obrigações. No capítulo um, se revisa a proteção do credor no âmbito legal. No capítulo dois, sistematizam-se características e momentos críticos em que o capital de terceiros assume função de capital próprio, destacando-se (i) o financiamento externo contínuo e sem horizonte de término para custear diretamente a atividade e (ii) a perda de capacidade de rédito para satisfazer obrigações correntes com recursos próprios, que torna a sociedade estruturalmente dependente de crédito para sobreviver, ocorrendo, a partir de um contexto de desequilíbrio, a transferência do risco aos credores, analisando modo como a estrutura de capital realoca o risco. O objetivo geral, a partir disso, é verificar se a subcapitalização permanece um “problema fantasma” no Brasil, reconhecido teoricamente e negligenciado na prática e na lei, a partir de duas hipóteses: H1, segundo a qual o ordenamento brasileiro necessita de atualização legislativa para reduzir insegurança jurídica; e H2, segundo a qual a teoria da subcapitalização material não orienta a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Metodologicamente, o trabalho combina: (a) revisão integrativa e análise dogmática da proteção de credores e do estado da arte sobre subcapitalização; (b) pesquisa documental legislativa e teste de integração do regime vigente para verificar se a construção de Diniz (2012), que admitia enfrentar a subcapitalização pela desconsideração da personalidade jurídica, mantém aderência após a Lei da Liberdade Econômica; e (c) levantamento empírico e análise qualitativa de julgados do STJ. No capítulo três, demonstra-se a superação da integração antes aventada: com a Lei 13.874/2019, o art. 50 do Código Civil estreita o desvio de finalidade e explicita a necessidade de dolo, restando a confusão patrimonial como parâmetro objetivo, o que inviabiliza replicar, sem fricção, o enquadramento objetivo da subcapitalização como desvio de finalidade; também se afasta analogia e se conclui pela insuficiência de recorrer a costumes praeter legem, diante da falta de estabilização jurisprudencial do conceito. Confirma-se a H1, com crítica ao PL 2.485/2023 por pretender fixar critérios quantitativos uniformes. No capítulo quatro, a H2 é verificada por pesquisa no buscador do STJ (“subcapitalização”), sem recorte temporal, que localiza 19 processos, todos em decisões monocráticas; a amostra é tratada por três dimensões: fonte da menção (autoria discursiva), centralidade para a decisão e contexto de uso com confronto teórico. Os resultados indicam baixa centralidade e emprego predominantemente periférico ou retórico, explicado por estratégias forenses de subsunção a categorias tipificadas (desvio de finalidade/confusão patrimonial), por filtros processuais e pela dificuldade probatória, entre outras questões. Conclui-se que o problema da transferência de riscos persiste, mas demanda resposta normativa calibrada, que aumente previsibilidade sem impor capital mínimo generalizado nem responsabilização automática pelo insucesso empresarial. | |
| dc.description.abstract2 | This dissertation examines material corporate undercapitalization by taking as its central axis the asymmetric transfer of entrepreneurial risk to creditors and third parties, rather than a mere assessment of nominal share capital. It treats undercapitalization as an objective, structural phenomenon that, as a rule, will not be present when the business operation preserves the capacity to meet its obligations. Chapter 1 reviews creditor protection within the legal framework. Chapter 2 systematizes the main features and critical moments in which third-party capital comes to perform the role of equity, highlighting: (i) continuous external financing, with no foreseeable end, used to directly fund the activity; and (ii) the loss of the firm’s income-generating capacity to satisfy current obligations through its own resources, which renders the company structurally dependent on credit to survive. From this background of imbalance, risk is shifted to creditors, and the analysis focuses on how capital structure reallocates risk. On this basis, the overarching objective is to verify whether undercapitalization remains a “ghost problem” in Brazil, recognized in theory and neglected in practice and in the statutory framework, by testing two hypotheses: H1, according to which Brazilian law requires legislative updating to reduce legal uncertainty; and H2, according to which the theory of material undercapitalization does not guide the case law of the Superior Court of Justice (STJ). Methodologically, the study combines: (a) an integrative literature review and a dogmatic analysis of creditor protection and the state of the art on undercapitalization; (b) legislative documentary research and an integration test of the current regime to determine whether Diniz’s (2012) approach, which accepted addressing undercapitalization through veil piercing, remains viable after the Economic Freedom Act; and (c) an empirical survey and qualitative analysis of STJ decisions. Chapter 3 shows that the previously suggested integration has been overtaken. With Law No. 13,874/2019, Article 50 of the Civil Code narrows “purpose deviation” and expressly requires intent (dolo), leaving asset commingling as an objective parameter. This makes it impracticable, without significant doctrinal and practical friction, to replicate the objective framing of undercapitalization as purpose deviation. The chapter also rejects analogical extensions and concludes that recourse to praeter legem custom is insufficient, given the lack of jurisprudential stabilization of the concept. H1 is confirmed, together with a critique of Bill No. 2,485/2023 for seeking to set uniform quantitative criteria. In Chapter 4, H2 is verify through an STJ database search for “subcapitalização,” without a temporal cutoff, which identifies 19 cases, all decided monocratically. The sample is examined across three dimensions: the source of the reference (discursive authorship), its centrality to the decision, and the context of use in light of the theoretical framework. The results indicate low centrality and a predominantly peripheral or rhetorical use of the term, explained by litigation strategies that subsume arguments under typified categories (purpose deviation or asset commingling), procedural filters, evidentiary difficulties, and related factors. The dissertation concludes that the problem of risk shifting persists, but calls for a calibrated normative response that enhances predictability without imposing generalized minimum-capital rules or automatic shareholder liability for ordinary business failure. | |
| dc.description.physical | 180 f. | |
| dc.description.sponsorship | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) | |
| dc.description.uri | Edital n. 01/2024 PPGD/UFERSA | |
| dc.format.mimetype | ||
| dc.identifier.bibliographicCitation | SANTOS, Gabriel Braga dos. Subcapitalização societária: prática, regulação e jurisprudência. 2026. 180 f. Dissertação (Mestrado em Direito) - Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, 2026. | |
| dc.identifier.uri | https://repositorio.ufersa.edu.br/handle/prefix/15063 | |
| dc.language.iso | pt_BR | |
| dc.publisher.center | Centro de Ciências Sociais Aplicadas e Humanas - CCSAH | |
| dc.publisher.country | Brasil | |
| dc.publisher.department | Departamento de Ciências Sociais Aplicadas | |
| dc.publisher.initials | UFERSA | |
| dc.publisher.institution | Universidade Federal Rural do Semi-Árido | |
| dc.publisher.program | Programa de Pós-Graduação em Direito | |
| dc.rights | info:eu-repo/semantics/openAccess | |
| dc.rights.holder | UFERSA | |
| dc.rights.license | Attribution-ShareAlike 3.0 Brazil | en |
| dc.rights.uri | http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br/ | |
| dc.subject.cnpq | CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITO | |
| dc.subject.keyword | Subcapitalização material | |
| dc.subject.keyword | Transferência de riscos | |
| dc.subject.keyword | Responsabilidade limitada | |
| dc.subject.keyword | Proteção do credor | |
| dc.subject.keyword | Desconsideração da personalidade jurídica | |
| dc.subject.keyword | Material corporate undercapitalization | |
| dc.subject.keyword | Risk shifting | |
| dc.subject.keyword | Limited liabilitu | |
| dc.subject.keyword | Creditor protection | |
| dc.subject.keyword | Veil piercing | |
| dc.title | Subcapitalização societária: prática, regulação e jurisprudência | |
| dc.title.alternative | Corporate undercapitalization: practice, regulation, and jurisprudence | |
| dc.type | info:eu-repo/semantics/masterThesis |
