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Aditivo a base de extrato de própolis verde da Mimosa tenuiflora em dietas de alto concentrado para ovinos

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A redução do tempo de confinamento de ovinos demanda dietas altamente energéticas, frequentemente associadas ao uso de ionóforos, cuja aplicação tem sido progressivamente restringida em razão de preocupações com a resistência microbiana, o que tem incentivado pesquisas com aditivos alternativos de origem natural. Nesse contexto, buscou se avaliar os efeitos do extrato de própolis verde (EPV) da Mimosa tenuiflora em comparação à salinomicina (SAL) sobre parâmetros metabólicos, desempenho produtivo, características de carcaça, qualidade da carne e sobre a histomorfometria do trato digestório de ovinos alimentados com dietas de alto concentrado. Para isso foram conduzidos três experimentos. Experimento 1: Avaliou-se o efeito de doses crescentes do EPV (0, 6, 12, 18 e 24 mL/dia de EPV) sobre o consumo, digestibilidade aparente, comportamento ingestivo, parâmetros ruminais, bioquímica sérica e balanço de nitrogênio em carneiros alimentados com dietas de alto concentrado (v:c 20:80). Foram utilizados 5 carneiros machos, castrados, ½ Dorper x ½ Santa Inês, com idade de 26 meses e peso 47,94 ± 4,73 kg. O experimento durou 85 dias, divididos em 5 períodos de 17 dias. As doses crescentes de EPV não influenciaram (P>0,05) o consumo e digestibilidade aparente da matéria seca (MS), proteína bruta (PB) e fibra insolúvel em detergente neutro (FDNcp) dos carneiros, o comportamento ingestivo, o pH e o nitrogênio amoniacal ruminal, bem como a água absorvida e o nitrogênio retido. Os eosinófilos e monócitos do sangue e os valores de aspartato aminotransferase foram alterados (P<0,05) pela oferta de EPV aos cordeiros. Experimento 2: Avaliou-se os efeitos da oferta de EPV (24 mL/ dia) ou de salinomicina (24 mg/kg de MS) sobre o consumo, digestibilidade aparente, balanço de nitrogênio e balanço hídrico de ovinos alimentados com dietas de alto concentrado. Três ovinos, ½ Dorper x ½ Santa Inês, foram designados para um delineamento em quadrado latino 3 x 3, repetido ao longo do tempo, totalizando seis repetições por tratamento. Os animais eram castrados, com idade de 26 meses e peso de 46,93 ± 4,73 kg. O experimento durou 102 dias, divididos em 6 períodos de coletas. Os consumos de MS, MO, PB, FDNcp e carboidratos não fibrosos (CNF) não diferiram (P > 0,05) entre os aditivos. No entanto, o consumo de nutrientes digestíveis totais (NDT) foi menor (P < 0,05) para a dieta SAL. Da mesma forma, a dieta SAL tendeu a reduzir a digestibilidade aparente de MS (P=0,0542), MO (P=0,0573), PB (P= 0,0662) e NDT (P=0,0836) em ovinos. Os ovinos alimentados com SAL absorveram e retiveram menos (P<0,05) nitrogênio do que os alimentados com as dietas CON e EPV. A suplementação com 24 mL/dia de EPV não afeta a ingestão de energia e a utilização de nitrogênio pelos ovinos. Experimento 3: Avaliou-se a oferta de EPV (24 mL/dia) ou SAL (24 mg/kg de MS) sobre respostas produtivas, metabólicas, características de carcaça, qualidade da carne e histomorfometria do trato gastrointestinal de cordeiros alimentados com dietas de alto concentrado. Foram utilizados 21 cordeiros machos da raça Santa Inês, com idade de 5 ± 1 meses e peso de 17,08 ± 2,36 kg, confinados por 90 dias. O consumo de nutrientes, comportamento ingestivo, desempenho e peso da carcaça dos cordeiros não foram influenciados (P>0,05) pelos aditivos. Entretanto, o pH e o grau de engorduramento foram maiores (P<0,05) para carcaças de animais recebendo SAL. Não houve diferenças (P>0,05) nos atributos químicos, físicos e na oxidação lipídica da carne. A carne de cordeiros CON apresentou maior (P<0,05) escore de sabor, textura e suculência, mas não houve diferença (P>0,05) na intenção de compra da carne. A análise histomorfométrica do epitélio ruminal e do duodeno não diferiu (P>0,05) entre os tratamentos. Observou-se tendência de aumento na densidade de muco cecal nos animais suplementados com SAL (P=0,0726). As análises por microscopia eletrônica de varredura indicaram preservação da integridade da mucosa em todos os grupos. Conclui-se, portanto, que o EPV apresenta potencial para utilização como aditivo alternativo à SAL em dietas de confinamento para ovinos, contribuindo para a manutenção metabolismo, da saúde digestiva e da eficiência produtiva, sem efeitos adversos sobre a qualidade da carne.



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