Biochar de moringa no cultivo de capim-elefante no semiárido potiguar: melhorias na fertilidade do solo e sequestro de carbono
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Neste trabalho avaliou-se os efeitos da aplicação de biochar de moringa (Moringa oleifera Lam.), isoladamente ou em combinação com vermicomposto e adubação mineral, sobre atributos químicos do solo, estoques de carbono e desempenho produtivo e fisiológico do capim-elefante BRS Capiaçu (Pennisetum purpureum Schum.) cultivado em solo arenoso do semiárido brasileiro. O experimento foi conduzido em casa de vegetação, em colunas preenchidas com solo, avaliando-se dez tratamentos com diferentes proporções de biochar, vermicomposto e adubação química, em delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições. O biochar foi produzido a 350 °C, apresentou pH=9,42; %C = 66,6 e razão molar: H/C=0,6 e O/C=0,3. Foram realizadas análises físico-químicas do solo e avaliações morfológicas, fisiológicas e nutricionais das plantas. As variáveis avaliadas incluíram carbono total, carbono lábil e matéria orgânica particulada (MOP), macro e micronutrientes do solo e da planta, além de atributos como área foliar, clorofilas, lignina e celulose. Os principais resultados mostraram que a combinação de biochar com vermicomposto proporcionou aumento significativo nos teores de carbono orgânico total (até +76 %), carbono lábil e MOP, bem como elevação nos índices de manejo de carbono (IMCCL e IMCCOP). Os tratamentos com maior proporção de biochar, como 100 % biochar, 75 % biochar + 25 % vermicomposto e 50 % biochar + 50 % vermicomposto, apresentaram os melhores resultados em termos de fertilidade do solo, acúmulo de biomassa, teores de clorofilas, lignina, celulose e maior eficiência na absorção de nutrientes (N, K, Ca e Mg) pela planta. As análises multivariadas (PCA, correlação canônica e agrupamento) evidenciaram relações fortes entre o acúmulo de carbono no solo e o desempenho fisiológico e morfológico das plantas. O tratamento com 100 % de biochar foi o mais eficiente para o sequestro de carbono, enquanto os tratamentos com proporções equilibradas — como 33,4 % biochar + 33,3 % adubação química + 33,3 % vermicomposto e 50 % biochar + 25 % adubação química + 25 % vermicomposto — apresentaram os melhores resultados integrados em solo e planta. Este estudo comprova que a mistura de biochar de moringa com vermicomposto revitaliza solos do semiárido, elevando sua fertilidade e estoques de carbono. A estratégia se mostra uma alternativa sustentável, impulsionando a segurança alimentar e energética na região.

