A violência obstétrica na formação médica à luz das vivências e percepções de acadêmicos de medicina
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Introdução A violência obstétrica é uma realidade existente em diversos países do mundo e trata-se de um compilado de abusos e negligências realizadas por equipes de saúde com as mulheres durante o ciclo gravídico-puerperal. Inclui desde práticas ultrapassadas e desaconselhadas pela comunidade científica, até falas e julgamentos discriminatórios e ações sem consentimento, atitudes que colocam a gestante, parturiente e puérpera em situações de desrespeito e sofrimento, infringindo seu direito à saúde e gerando, por vezes, danos físicos e psicológicos irreparáveis. Atos de Violência Obstétrica podem ser assimilados ou contestados desde a formação médica, a depender de como conhecimentos, habilidades e atitudes são construídas. Objetivo O estudo objetivou analisar as percepções dos estudantes de medicina quanto às práticas de VO. Metodologia Para tal, foi realizada uma pesquisa qualitativa, a partir da realização de 14 entrevistas individuais com acadêmicos de medicina que estavam a cursar os 3 últimos anos da graduação, nas universidades públicas da cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte: a Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA) e da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), durante o período de julho de 2022 a abril de 2023. Resultados Estudantes de medicina têm vivenciado a prática profissional em cenários atravessados pela violência obstétrica. São cenários institucionais marcados pela não utilização de protocolos clínicos e/ou diretrizes terapêuticas, principalmente quanto à realização de cesarianas, pela institucionalização da banalização da dor e pela limitada autonomia das pacientes. A busca por produtividade, a formação tecnicista e desatualização técnica dos profissionais foram identificados como sendo os principais aspectos relacionados à Violência Obstétrica. Constatou-se que o tema é abordado de forma tímida na formação e que as competências construídas são insuficientes para que os futuros médicos e médicas possam reverter o cenário de violências obstétricas instituído. Considerações Finais. A Violência Obstétrica está institucionalizada nos cenários investigados, contribuindo para o cerceamento da autodeterminação e da autonomia da mulher sobre sua sexualidade e seu próprio corpo. A formação médica deve pautar a Violência Obstétrica de maneira que os profissionais saibam agir e sintam o dever de agir perante situações de Violência Obstétrica na sua prática médica futura.

