Déficit hídrico e silicato de cálcio sobre aspectos ecofisiológicos, e estimativas da área foliar de gravioleira e umbu-cajazeira
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A fruticultura brasileira desempenha papel estratégico na economia, na segurança alimentar e no desenvolvimento sustentável. Contudo, a escassez hídrica, especialmente em regiões semiáridas, compromete a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Nesse contexto, tornam-se essenciais estratégias de manejo eficiente dos recursos hídricos e o uso de tecnologias capazes de atenuar os efeitos do déficit hídrico, como a aplicação de silicato de cálcio. Além disso, a estimativa não destrutiva da área foliar em frutíferas é uma ferramenta fundamental para estudos de crescimento vegetal, ecofisiologia, nutrição e o manejo da irrigação. Portanto, objetivou-se avaliar os efeitos do déficit hídrico e do silicato de cálcio sobre aspectos ecofisiológicos da gravioleira (Annona muricata L.) e da umbu-cajazeira (Spondias sp.), bem como construir modelos alométricos para a estimativa da área foliar dessas espécies. A pesquisa foi estruturada em quatro capítulos. No primeiro, objetivou-se determinar equações alométricas para estimar a área foliar de gravioleira usando dimensões lineares (comprimento e largura) das folhas. Foram coletadas folhas de mudas sadias da cultivar Morada e avaliados modelos de regressão linear, linear sem intercepto, potência e exponencial, utilizando L, W e o produto LW. Os resultados indicaram que a área foliar pode ser estimada com elevada precisão pelo produto LW, destacando-se as equações ŷ = 0,72*LW (modelo linear sem intercepto) e ŷ = 0,69*LW1,00 (modelo potência). O segundo capítulo objetivou-se construir equações alométricas para estimar, de forma não destrutiva, a área foliar da umbu-cajazeira (Spondias sp.), considerando as dimensões dos folíolos. Os folíolos foram coletados de plantas matrizes, e submetidos aos mesmos modelos de regressão utilizados para a gravioleira. De modo semelhante, o modelo potência baseado no produto LW apresentou o melhor ajuste, sendo a equação ŷ = 0,76 * LW0,98 a mais adequada para estimar a área dos folíolos de umbu-cajazeira. No terceiro capítulo, foram avaliadas as alterações ecofisiológicas e bioquímicas em mudas de gravioleira submetidas a diferentes frequências de irrigação e adubação com silicato de cálcio. O experimento foi conduzido em delineamento em blocos casualizados, em esquema fatorial 4 × 2, com quatro turnos de rega (irrigação diária, a cada dois, quatro e seis dias) e ausência ou presença de silicato de cálcio (CaSiO3), aplicado via solo, na dose de 3,5 g planta⁻¹. As mudas irrigadas a cada quatro dias associadas à aplicação de CaSiO₃ apresentaram melhorias nas trocas gasosas, como condutância estomática, transpiração e taxa de assimilação de CO₂. Além disso, o CaSiO₃ regulou a síntese de prolina, aumentou a biomassa foliar e elevou os teores de silício e cálcio nos tecidos, promovendo maior tolerância e menor sensibilidade à seca. No quarto capítulo, objetivou-se avaliar o crescimento e as trocas gasosas foliares de mudas de umbu-cajazeira sob diferentes frequências de irrigação. O experimento foi conduzido em delineamento em blocos casualizados, contendo quatro tratamentos (irrigação diária, a cada dois, quatro e seis dias) e seis repetições. O déficit hídrico não afetou as variáveis morfológicas e trocas gasosas foliares; entretanto, frequências de irrigação diária e a cada seis dias reduziram a área foliar e a produção de biomassa. Assim, em condições de limitação hídrica, frequências de irrigação entre dois e seis dias mostram-se alternativas viáveis para o manejo da cultura.

