Atributos morfológicos e ecofisiológicos de sementes de acanthaceae (Lamiales) endêmicas da caatinga
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A degradação da Caatinga por atividades antrópicas tem ameaçado a diversidade da família Acanthaceae, que inclui aproximadamente 4.000 espécies. O estudo da germinação de sementes é fundamental para compreender a regeneração, adaptação e respostas a mudanças climáticas dessas espécies. Este trabalho teve como objetivo caracterizar morfologicamente sementes de quatro espécies do gênero Justicia (J. sphaerosperma, J. rubrobracteata, J. triloba e J. laevilinguins), determinar suas curvas de absorção de água e avaliar a germinação sob diferentes temperaturas, visando identificar condições ótimas para germinação e subsidiar estratégias de conservação. Foram mensurados comprimento, largura e espessura de 100 sementes por espécie, e a morfologia externa da testa foi analisada por microscopia eletrônica de varredura (MEV). O grau de umidade foi determinado pelo método da estufa a 105 °C por 24 horas. A absorção de água foi monitorada a 25 °C e 35 °C em intervalos regulares até 456 horas (191 horas para J. rubrobracteata). Testes de germinação foram conduzidos em papel mata-borrão em gerboxes, com quatro repetições de 25 sementes, nas temperaturas de 25, 30 e 35 °C. Para J. triloba e J. rubrobracteata, realizou-se superação de dormência com desponte do tegumento e imersão em ácido giberélico (100 mg/L); para J. sphaerosperma e J. laevilinguins, apenas a imersão em ácido giberélico foi aplicada. Os resultados demonstraram variabilidade morfológica significativa entre as espécies, com J. triloba exibindo as maiores dimensões e J. rubrobracteata as menores. A análise do MEV revelou diferenças na superfície do tegumento, com implicações diretas na absorção de água. As curvas de embebição indicaram padrão bifásico, com resposta diferenciada às temperaturas. A germinação foi otimizada em condições específicas: J. triloba germinou melhor a 25 °C, enquanto J. laevilinguins respondeu mais favoravelmente a 30 °C. J. rubrobracteata exigiu tratamentos pré-germinativos para superar dormência física e fisiológica.As espécies estudadas exibem estratégias germinativas distintas, refletindo adaptações aos ambientes sazonais da Caatinga. A caracterização morfológica e fisiológica detalhada fornece bases para protocolos de germinação específicos, essenciais para a produção de mudas e programas de restauração ecológica. Recomenda-se a utilização de tratamentos de superação de dormência e temperaturas adequadas para maximizar a germinação de cada espécie, contribuindo para a conservação e o uso sustentável desses recursos genéticos.

