Efeitos alelopáticos de Azadirachta indica sobre a regeneração de espécies da caatinga e do cerrado
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As espécies exóticas invasoras representam uma das principais ameaças à biodiversidade, pois podem interferir na estrutura das comunidades vegetais, alterar processos ecológicos e comprometer a manutenção da flora nativa. Entre os mecanismos associados ao sucesso dessas espécies, destaca-se a liberação de metabólitos secundários no ambiente, capazes de influenciar a germinação, o crescimento e o desenvolvimento de outras plantas. Nesse contexto, Azadirachta indica A. Juss., popularmente conhecida como nim, apresenta ampla utilização em regiões tropicais e semiáridas, especialmente em projetos de arborização, recuperação de áreas degradadas, sistemas agroflorestais e práticas agrícolas. Entretanto, sua capacidade de produzir compostos bioativos tem despertado preocupação quanto aos possíveis impactos sobre espécies vegetais nativas. Diante disso, este trabalho teve como objetivo analisar as evidências científicas disponíveis na literatura acerca dos efeitos alelopáticos de Azadirachta indica sobre espécies vegetais, discutindo suas possíveis implicações ecológicas para a flora nativa da Caatinga e do Cerrado. A pesquisa caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de natureza descritiva, com abordagem qualitativa e utilização de elementos quantitativos para a caracterização dos estudos selecionados. As buscas foram realizadas entre abril e junho de 2026 nas bases Google Acadêmico, SciELO e Portal de Periódicos CAPES, com auxílio de ferramentas de inteligência artificial para organização e sistematização das informações. Foram considerados estudos publicados entre 2018 e 2025, disponíveis na íntegra e redigidos em português ou inglês. Inicialmente, foram identificadas 362 produções científicas; após a triagem por títulos, resumos e palavras-chave, 18 estudos foram avaliados na íntegra, resultando em uma amostra final de 14 produções científicas. Os resultados indicaram que os derivados do nim, principalmente extratos aquosos obtidos de folhas, apresentam potencial bioativo sobre diferentes espécies vegetais, afetando variáveis como porcentagem de germinação, índice de velocidade de germinação, emergência, crescimento radicular, desenvolvimento da parte aérea e formação de plântulas. As evidências mostraram-se mais consistentes para espécies nativas da Caatinga, como Mimosa caesalpiniifolia, Cenostigma pyramidale, Anadenanthera colubrina, Myracrodruon urundeuva, Pityrocarpa moniliformise Libidibia ferrea, que apresentaram diferentes níveis de sensibilidade aos compostos do nim. Em relação ao Cerrado, observou-se menor número de estudos específicos, o que limita inferências mais amplas sobre os efeitos da espécie nesse bioma. Verificou-se também predominância de experimentos conduzidos em laboratório ou casa de vegetação, indicando a necessidade de ampliar pesquisas em condições de campo. Conclui-se que Azadirachta indica apresenta potencial para interferir nas etapas iniciais do desenvolvimento vegetal, podendo representar um fator adicional de pressão sobre ecossistemas vulneráveis. Assim, recomenda-se cautela quanto ao uso do nim em áreas próximas a remanescentes de vegetação nativa, bem como a ampliação de estudos voltados ao manejo ambiental, à conservação da biodiversidade e à restauração ecológica.
