Resistência a macrophomina phaseolina em meloeiro: mapeamento de QTLs e uso de agentes indutores de defesa
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A podridão radicular e o declínio das ramas causada por Macrophomina phaseolina constitui uma das principais limitações fitossanitárias à produção de meloeiro (Cucumis melo L.), especialmente em regiões semiáridas, onde condições edafoclimáticas favorecem a sobrevivência, disseminação e agressividade do patógeno. Diante da escassez de métodos químicos eficazes e registrados para o controle dessa doença, estratégias integradas baseadas na resistência genética e na ativação de mecanismos de defesa das plantas tornam-se fundamentais para o manejo sustentável da cultura. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo investigar, de forma integrada, as bases genéticas e fisiológicas associadas à resistência do meloeiro a M. phaseolina, combinando abordagens de mapeamento de locos de caracteres quantitativos (QTLs) e indução de resistência. No primeiro capítulo, foi avaliada uma população F₂ derivada do cruzamento entre o híbrido suscetível Goldex e o acesso resistente C14, utilizando marcadores microssatélites (SSR) para construção de mapa genético e identificação de QTLs associados à resistência. A análise fenotípica revelou distribuição assimétrica das notas de severidade, com predominância de indivíduos resistentes e herdabilidade estimada em 65%, evidenciando natureza quantitativa da resistência. Dos 130 marcadores SSR avaliados, nove foram ancorados em quatro grupos de ligação, sendo identificado um QTL significativo no LG1, no mapa construído, delimitado pelos marcadores CMGAN21 e CMMS30-3, com LOD de 32,34 e PVE de 1,44%, evidenciando arquitetura genética poligênica e controlada por QTLs de pequeno efeito. No segundo capítulo, foi avaliada a eficiência de agentes indutores de resistência aplicados via solo em dois genótipos contrastantes de meloeiro (C14 e Goldex), inoculados ou não com M. phaseolina. Foram utilizados os indutores Trichotrop® (Trichoderma asperelloides), Agromos® (mananoligossacarídeos – MOS) e Bion® (acibenzolar-S-metil – ASM), em delineamento inteiramente casualizado com 16 tratamentos e dez repetições. Foram avaliados parâmetros fitopatológicos, biométricos e bioquímicos relacionados à atividade das enzimas quitinase, β-glucanase e fenilalanina amônia-liase. O tratamento com Trichotrop® apresentou maior eficiência na redução da severidade da doença e maior ativação da quitinase, especialmente no acesso resistente C14, ao passo que Agromos® apresentou menor eficiência nas condições avaliadas. O híbrido suscetível Goldex apresentou maior resposta biométrica à aplicação dos indutores, mesmo sob inoculação. De forma integrada, os resultados demonstram que a resistência a M. phaseolina em meloeiro possui natureza quantitativa e envolve múltiplos componentes genéticos e fisiológicos. Além disso, evidenciam o potencial do acesso C14 como fonte de resistência e reforçam a aplicação conjunta do melhoramento genético assistido por marcadores e da indução de resistência como estratégias promissoras para o manejo sustentável da podridão radicular e declínio das ramas em meloeiro, bem como o desenvolvimento de sistemas de produção mais sustentáveis, resilientes e adaptados às condições do Semiárido.

