Significações sobre a pele negra: uma análise dialógica em filtros do instagram
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Partindo da necessidade de se refletir sobre a constituição e significações da pele negra em ferramentas das redes sociais, este artigo objetiva analisar a construção da negritude em filtros do Instagram. Mas especificamente, nos interessa: i) identificar, na plataforma Instagram se há filtros voltados para a pele negra; ii) analisar as singularidades e regularidades presentes nos filtros do Instagram voltados para a pele negra; iii) compreender como se dá a constituição da imagem da pele negra em filtros do Instagram. Para o desenvolvimento da pesquisa, dialogamos com as ideias de Bakhtin e do Círculo sobre a concepção dialógica e ideológica da linguagem e com estudiosos que discutem sobre colorismo (DEVULSKY, 2021) e a rede social Instagram (AGUIAR, 2018; RAMOS; MARTINS, 2018). Metodologicamente, nosso trabalho se insere numa abordagem qualitativa de natureza interpretativa e descritiva. O corpus de análise é constituído por 30 filtros do Instagram voltados para a pele negra. A análise aponta que: i) cerca de 90% dos filtros apresentam imagens de mulheres negras; ii) traços afinados, rosto sem linhas de expressão, mudança na cor dos olhos, embranquecimento e alaranjamento da pele e maquiagem foram os aspectos/traços regulares encontradas; iii) apenas dois filtros preservam os traços naturais do rosto e iv) a imagem da pele negra é pensada a partir de uma linha ideológica da branquitude. A avaliação que se faz é que os filtros analisados apesar de aparecem a partir da busca de palavras como Lady, Make G.S, Pele preta quando usados/aplicados acabam mascarando e apagando os traços de que tem os fenótipos africanos de quem usa e impondo traços europeus. Assim, os dados reforçam a supremacia branca em relação a outras, além de reverberar estereótipos e padrões de belezas unificados e apagar as singularidades do sujeito. e reforça a dimensão do colorismo e suas nuancesna manutenção do racismo, a partir do embranquecimento e, por conseguinte, apagamento da ancestralidade.
