Análises físico-químicas e microbiológicas de farinhas de insetos comestíveis
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Em busca da sustentabilidade e de alternativas para a nutrição animal, as farinhas de insetos vêm se destacando como ingredientes nutritivos e funcionais. Neste estudo, avaliou-se a composição bromatológica básica de três farinhas de insetos: Tenebrio molitor (LT), a Gromphadorhina portentosa (BM) e Gryllus assimilis (GP), além de avaliar a presença de bactérias patogênicas do tipo Staphylococcus aureus, Salmonella sp, bactérias mesófilas e coliformes termotolerantes. A análise de diferentes nutrientes nas amostras de farinhas de insetos revelou variações significativas (p<0,05) para as médias percentuais. A porcentagem de matéria seca média foi de 92,98% para GP, 89,99% para BM e 87,50% para LT. Em relação à proteína bruta, as porcentagens foram de 59,90% para BM, 56,50% para GP, e 54,83% para LT. O extrato etéreo médio foi de 37,45% para LT, 20,50% para BM e 28,40% para GP. No que diz respeito à fibra detergente neutro, determinou-se valores médios de 18,60% para BM, 14,20% para GP e 12,80% para LT. Já a fibra detergente ácida, determinou-se valores médios de 16,36% para BM, 8,40% para GP e 6,48% para LT. A matéria mineral média foi de 4,30% para GP, 3,62% para BM e 3,38% para LT. Esses resultados demonstram a diversidade nas características nutricionais das farinhas de insetos, seja devido à sua fase de vida, manejo e substrato das colônias, considerando que o processamento da biomassa de insetos para a obtenção das farinhas foi similar. Na análise microbiológica, os dados de contagem de unidades formadoras de colônias por mililitro (UFC/g) revelaram diferentes níveis de contaminação bacteriana entre as três farinhas de insetos. Para BM não foram detectadas S. aureus, Salmonella sp, coliformes termotolerantes ou bactérias mesófilas. Para LT não foram detectadas S. aureus nem Salmonella sp, mas registrou-se contagens de coliformes termotolerantes e bactérias mesófilas em torno de 0,11x10³ UFC/g e 0,17x10³ UFC/g, respectivamente. Para GP também não se verificou S. aureus nem Salmonella sp, porém, registrou-se contagens mais elevadas de coliformes termotolerantes e bactérias Mesófilas, em torno de 11x10⁴ UFC/g e 3x10⁴ UFC/g, respectivamente, ultrapassam o limite tolerável para o consumo animal (1000 UFC/g e 5x10³ UFC/g, respectivamente), alertando para maiores cuidados higiênico-sanitários e processos esterilizantes, possivelmente devido contaminações no alimento fornecido, impurezas ou ainda, contaminantes presentes na microbiota intrínseca do inseto, ou no microbioma, no momento da coleta dos insetos para formar as colônias. Esses resultados demonstram a variabilidade das três farinhas de insetos processadas e analisadas neste estudo para consumo animal, e atestam a importância de um rigoroso controle sanitário para sua produção. Nas condições de execução deste trabalho de pesquisa, o Gryllus assimilis apresentou bons resultados bromatológicos, porém com elevada carga patogênica. Gromphadorhina portentosa, apresentou maior aporte proteico e menor risco microbiológico, ao lado da farinha de larva de Tenebrio molitor, que propiciou padrões microbiológicos aceitáveis e ótimos resultados bromatológicos, sendo potenciais alternativas para a alimentação de animais monogástricos (não-ruminantes) e silvestres.
