Resíduos tecnológicos em Martins/RN: diagnóstico e estratégias para o gerenciamento sustentável
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O gerenciamento inadequado dos Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos (REEE) representa um dos principais desafios socioambientais da atualidade, demandando arranjos locais alinhados aos preceitos da Economia Circular (EC) e da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O presente trabalho teve como objetivo geral analisar o panorama do gerenciamento de resíduos eletroeletrônicos no município de Martins, interior do Rio Grande do Norte, culminando na elaboração de diretrizes estratégicas estruturadas. A metodologia adotada possui caráter descritivo e abordagem mista, associando o levantamento documental, a realização de entrevistas com agentes públicos, representantes do setor comercial e trabalhadores responsáveis pela limpeza pública e manejo de resíduos sólidos urbanos, além da aplicação de questionários amostrais à população. Os resultados apontam para um cenário de transição administrativa promissor, marcado pela recente erradicação do lixão a céu aberto em 2025 e pela adesão ao consórcio intermunicipal regionalizado. Contudo, constatou-se uma severa lacuna infraestrutural e regulamentar no fluxo específico de e-lixo, resultando em um paradoxo: embora 66,19% dos cidadãos reconheçam os riscos ambientais dos REEE, 58,27% utilizam o sistema de coleta convencional nas calçadas por conveniência, impulsionados pelo desconhecimento de locais adequados de descarte e por um equívoco conceitual que desassocia pilhas, baterias e lâmpadas da categoria de resíduos eletroeletrônicos. No setor privado, as oficinas de reparo, em sua maioria, atuam de forma espontânea na extensão da vida útil dos aparelhos por meio do reaproveitamento de componentes, embora careçam de suporte logístico público para a destinação final de suas frações inviáveis. Diante desse diagnóstico, estruturou-se um planejamento estratégico escalonado em três horizontes temporais (curto, médio e longo prazo), contemplando desde ações informativas e workshops para o varejo até a instalação descentralizada de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) para a implementação da coleta seletiva e a futura consolidação de uma unidade de triagem operada de forma consorciada via CIMOP, cujos trâmites institucionais encontram-se em andamento. Conclui-se que o comportamento sustentável da comunidade está condicionado ao suporte institucional, evidenciando que as diretrizes propostas oferecem um modelo viável para fomentar a governança ambiental cooperativa e a circularidade no município.

