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Respostas ecofisiológicas e de sobrevivência no solo de Trichoderma spp. no semiárido brasileiro e manejo pós-colheita da podridão de Fusarium em melão

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O meloeiro é uma das culturas de maior relevância no semiárido brasileiro, destacando-se pelo elevado valor de suas exportações e pela significativa contribuição para a geração de empregos na região. No entanto, essa cultura enfrenta limitações produtivas e de pós-colheita associadas à incidência de fitopatógenos agressivos, ao potencial de salinização do solo e elevadas temperaturas durante o cultivo. O gênero Fusarium, dentre muitos patógenos que infectam a cultura, possui a capacidade de infectá-lo em diferentes fases do desenvolvimento, desde a semeadura até o pós-colheita, causando podridões nas raízes e nos frutos, gerando perdas expressivas nas exportações. Diante da necessidade de estratégias sustentáveis e eficientes, e das limitações impostas aos fungicidas sintéticos, este trabalho objetivou investigar a plasticidade fisiológica e a sobrevivência de isolados de Trichoderma spp. no solo durante o plantio do melão, além de avaliar a eficácia da termoterapia associada a fitoreguladores de crescimento no controle de Fusarium falciforme e F. sulawesiense em frutos de melão. Para os isolados de Trichoderma spp., em laboratório, os limites de crescimento sob diferentes gradientes de pH, salinidade e temperatura foram avaliados. Em campo, a avaliação ocorreu em cultivos comerciais de melão 'Pele de Sapo,' submetido a mulching de polietileno, monitorando-se a sobrevivência fúngica e as alterações na temperatura e nas características químicas do solo. Em laboratório, os isolados de Trichoderma apresentaram crescimento micelial em ampla faixa de pH (2 a 10), alta salinidade (até 1000 mM de NaCl) e em uma ampla faixa de temperatura (10 ° a 35 °C). No campo, a sobrevivência no solo durante o período avaliado (65 dias) superou 74% para a maioria dos isolados, com destaque para T. asperellum URM 5911 (95%), que se destacou na redução da condutividade elétrica do solo rizosférico junto a cinco outros isolados. No pós-colheita, melões 'Gália' foram inoculados com duas espécies de Fusarium e submetidos a tratamentos isolados e combinados com termoterapia (água quente a 58 °C por 150 s), 1-MCP, giberelina e Graduate A+®, seguidos de armazenamento refrigerado (20 dias, 9 ± 2 °C). Melões sem nenhum tratamento e inoculados com as duas espécies de Fusarium consistiram no tratamento controle. Análises de severidade, pós-colheita e enzimáticas foram realizadas ao fim dos ensaios. Os tratamentos associados à termoterapia reduziram a severidade das lesões pedunculares. A combinação com 1-MCP preservou a firmeza da polpa dos frutos e reduziu o estresse oxidativo com o aumento da catalase (CAT) e fenilalanina amônia-liase (PAL), junto da redução de peróxido de hidrogênio (H2O2). Assim, os isolados de Trichoderma avaliados, consolidam-se como bioinoculantes resilientes e funcionais, capazes de sobreviver e colonizar solos de regiões semiáridas do Brasil. De maneira complementar, a associação entre termoterapia e fitoreguladores constitui uma estratégia limpa, livre de resíduos e aplicável ao controle de podridão por Fusarium em melões. Juntas, as duas frentes de pesquisa fornecem uma abordagem fitossanitária contínua e integrada, conectando a proteção biológica do sistema radicular no campo à manutenção da integridade metabólica e shelf-life dos melões destinados ao mercado externo.



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