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Análise dos fatores relacionados à percepção dos estudantes de Medicina acerca do uso e adesão de terapia psicotrópica

Abstract

O crescimento social e a prevalência da ansiedade, da depressão e de outros transtornos psiquiátricos coincidiram com um aumento global da prescrição de fármacos antidepressivos e outros psicotrópicos. Parece não ter ocorrido, contudo, uma diminuição dos preconceitos e tabus que envolvem os grupos sociais cada vez maiores que requerem tal uso. Percebe-se haver, ainda, grande resistência da sociedade em aceitar como natural a adoção do uso de medicamentos psicotrópicos. Acredita-se que como reflexo desta sociedade, as universidades, e, em especial, os cursos de Medicina, também sejam afetados por este fenômeno, persistindo certo caráter polêmico quanto à adoção de terapias psicotrópicas. Nesse sentido, o presente trabalho propôs-se a analisar a percepção de estudantes de Medicina da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), localizada em Mossoró, RN, sobre o uso e adesão de terapia psicotrópica. O estudo consistiu na avaliação da influência dos possíveis fatores “intrapessoais”, “interpessoais” e “contextuais” na percepção dos participantes dessa pesquisa quanto ao uso terapêutico psicotrópico. Buscou-se, além disso, averiguar, junto àqueles que têm indicação de terapia psicotrópica, de que modo tais percepções afetavam sua própria adesão ao tratamento. Para tanto, foi elaborado um questionário eletrônico baseado nas categorias elencadas acima e constituído de perguntas de caráter socioeconômico e relativas à percepção dos sujeitos da pesquisa a respeito dos fatores contribuintes para a adesão, ou não, aos fármacos. Após a coleta de dados, realizou-se uma análise comparativa da influência desses fatores na percepção dos alunos de diferentes semestres do curso, procurando identificar alguma mudança ao longo dos períodos. A pesquisa teve caráter qualitativo, exploratório e descritivo, e utilizou a análise de conteúdo para realização da análise dos dados. Procurou-se, dessa forma, propor uma análise de cunho comparativo e uma síntese interpretativa. Os resultados demonstraram haver diversos fatores que podem interferir positiva ou negativamente na percepção dos alunos de Medicina na sua adesão acerca da terapia psicotrópica, sendo inclusive, potenciais objetos de intervenção pelas instituições formadoras, apesar de não ter sido detectada diferença significativa entre essas percepções nos estudantes do início e do final do curso. Em oposição a isso, foi identificado, apenas nas entrevistas, mudança positiva nas percepções dos estudantes acerca de saúde mental e psicotrópicos, com essa mudança se devendo aos estudos e vivências durante a época da graduação.



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