Análise das alterações laboratoriais no hemograma de animais com hemoparasitose confirmada por PCR, no semiárido brasileiro
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Ectoparasitas são transmissores de várias doenças causadas por protozoários (Babesia vogeli e Hepatozoon canis) ou bactérias (Ehrlichia canis e Anaplasma platys), que são intracelulares e infectam diferentes células sanguíneas: hemácias, plaquetas, leucócitos mononucleares (linfócitos ou monócitos) e/ou neutrófilos. Muitas vezes os animais podem apresentar não só a infecção por um destes agentes, mas, coinfecções ou até multinfecções. Este grupo analisou amostras sanguíneas de diferentes cães na cidade de Mossoró/RN, utilizando a PCR como método diagnóstico e evidenciou a presença de tais agentes. O objetivo desse trabalho foi descrever as principais alterações hematológicas de cães infectados por Anaplasma platys, Babesia vogeli, Ehrlichia canis e/ou Hepatozoon canis na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte. Dos 94 exames laboratoriais analisados, foram encontradas as seguintes alterações no hemograma: 33% (31/94) dos animais estavam anêmicos, 28,7% (27/94) estavam com eritrocitose e 38,3% (36/94) se encontravam sem alteração no hemograma. Houve associação significativa entre o tipo de parasito e sua frequência de detecção sob hematoscopia (x2 = 14,6; p = 0,002). A análise de variância (ANOVA) não detectou uma interação significativa entre o Ht e os três estados de infecção (mono-, co- e multinfecção), o que pode ser atribuído a um número limitado de animais multinfectados (n=2) e com anemia intensa. Logo, não houve associação significativa entre o estado de infecção (mono-, co- ou multinfecção) e a severidade da anemia. Segundo os resultados estatísticos, não há associação entre a ocorrência de anemia e hemoparasitose (x2 = 14,8; p = 0,25). Em contrapartida, houve associação entre o estado de infecção e o tipo de anemia (x2 = 18,0; p = 0,02). Assim como houve associação entre o estado de infecção e o tipo de parasito (x2 = 35,3; p = 0,00). Não houve associação entre o tipo de hemoparasita e a condição do eritrograma (x2 = 3,3; p = 0,77). Assim como o estado infeccioso não influenciou na condição de ter ou não anemia (x2 = 3,72; p = 0,44). A leucocitose foi a alteração mais frequente, seguida da contagem leucocitária normal e da leucopenia, respectivamente (60,6%, 33% e 6,4%). De uma forma geral, os hemoparasitas não têm atuação direta sobre o eritrograma, mas, a depender do estado infeccioso e de qual hemoparasita está envolvido, podem provocar alterações no leucograma, onde a resposta à inflamação irá depender do estado fisiológico desse animal e de como ele reage à doença. Dessa forma, não podemos dizer que os resultados dos hemogramas têm alguma característica patognomônica em se tratando de hemoparasitoses.
