Variação linguística e preconceito: uma análise sobre a manifestação de atitudes linguísticas na escola
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A diversidade linguística do português brasileiro manifesta-se em múltiplas variedades que coexistem, mas nem sempre recebem o mesmo valor simbólico, sobretudo devido à supervalorização da norma-padrão, concebida como um modelo prescritivo e idealizado de língua, que não é falado por ninguém (Bagno, 1999). Nesse cenário, interessa a esta pesquisa a análise das atitudes linguísticas, que são reações positivas ou negativas frente a manifestações linguísticas, sustentadas por crenças e percepções que circulam no grupo social. Com isso, o objetivo geral da pesquisa é analisar as atitudes dos estudantes em relação a variação linguística e as suas manifestações no ambiente social. Teoricamente, o trabalho está embasado em Sene (2018); Bortoni-Ricardo (2005; Bagno (2007;2012). Para alcançar os objetivos propostos, elaborou-se e aplicou-se um questionário direcionado para alunos do ensino fundamental de uma escola localizada na zona rural de Caraúbas, Rio Grande do Norte. Os resultados mostram que a maioria dos participantes associa o “falar certo” às variedades de maior prestígio, especialmente aquelas vinculadas à mídia televisiva, aos professores e às pessoas que vivem em cidades maiores, além de declararem utilizar as formas que consideram “mais corretas”, desconsiderando e negando a utilização de outras que consideram “erradas”. Esses achados permitem concluir que as atitudes linguísticas dos estudantes reforçam valores sociais que hierarquizam as variedades do português e influenciam diretamente suas práticas de fala.

