Explorando a Representatividade Surda no Cinema: uma análise discursiva do filme A Voz do Silêncio
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Este trabalho examina a representatividade surda no filme A Voz do Silêncio (2016), dirigido por Naoko Yamada. O objetivo investigar como a surdez é representada no filme “A Voz do Silêncio”, evidenciando de que forma a obra retrata a vivência da personagem surda e como se constroem as dinâmicas de poder entre ela e os demais personagens ouvintes. A pesquisa parte da compreensão de que a surdez é uma característica natural de um grupo e ela pode ser retratada de forma estigmatizada e limitada no cinema, contribuindo para a perpetuação de preconceitos e exclusões sociais. O filme permitiu uma análise das relações de poder entre personagens surdos e ouvintes, fundamentada em autores como Bakhtin e Foucault, estudiosos da identidade surda, como Perlin, Carvalho e Campello, e da representatividade no cinema, como Dess e Careli. A análise evidencia como os discursos expressam tensões sociais e ideológicas, mas também abrem espaço para a inclusão e o protagonismo de sujeitos historicamente marginalizados. Por meio desta narrativa, são abordados temas como bullying, exclusão social, identidade surda e reabilitação emocional. Enquanto a maioria dos ouvintes no filme permanece alheia às necessidades comunicativas da personagem, poucos se dispõem a aprender sua língua, revelando o isolamento e o silenciamento impostos a Shouko. O filme, assim, convida o espectador à reflexão crítica sobre a importância da acessibilidade, da empatia e do respeito à diversidade, mostrando que a verdadeira escuta — tanto literal quanto simbólica — é o primeiro passo para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva.

