Morfologia, morfometria e parâmetros hematológicos de células sanguíneas de emas, Rhea americana LINNAEUS, 1758
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A ema (Rhea americana Linnaeus, 1758), considerada a maior espécie de ave nativa do Brasil, encontra-se entre os componentes da fauna silvestre que apresentam elevado potencial econômico e conservacional. Nesta perspectiva, avaliar o perfil hematológico desses animais é indispensável, uma vez que os sinais clínicos nas aves são bastante inespecíficos e os exames físicos fornecem informações limitadas. Este estudo teve o objetivo de caracterizar a morfologia, morfometria e os parâmetros hematológicos de células sanguíneas de emas criadas em cativeiro no semiárido potiguar. Foram utilizados 48 exemplares hígidos da espécie, distribuídos em três grupos, de acordo com a idade: jovens (cinco a nove meses), juvenis (11 a 15 meses) e adultos (2,5 a 3,5 anos). A caracterização morfológica de eritrócitos, leucócitos e trombócitos foi feita utilizando-se técnicas de microscopia óptica e microscopia eletrônica de varredura (MEV). A análise morfométrica das células foi realizada com o auxílio do Software analisador de imagens ImageJ® (bundled with 64-bit Java 1.6.0_24), para a obtenção do diâmetro máximo e mínimo de eritrócitos, bem como o diâmetro de leucócitos e trombócitos e, para estabelecer comparações entre sexos e em diferentes idades foi aplicado o teste t de Student, considerando-se significativo o valor de p ≤ 0,05. Os parâmetros sanguíneos foram analisados e comparados através dos testes de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney-Wilcoxon. A análise inédita das células sanguíneas de emas por meio de microscopia eletrônica de varredura nos permitiu observar a textura da superfície dos diferentes tipos celulares, além da presença de pequenas projeções como microvilosidades, presença de granulações e outras estruturas submembranares, irregularidades e rugosidades, dentre outras características. Morfometricamente, observaram-se diferenças estatísticas apenas em relação aos trombócitos dos machos quando comparados aos trombócitos das fêmeas, sendo estes maiores. Quando comparados em relação à idade, apenas o diâmetro maior dos eritrócitos de emas adultas variou em relação ao diâmetro maior dos eritrócitos de emas jovens e juvenis. Em relação aos parâmetros hematológicos, obteve-se os valores: eritrócitos (2,84±0,61x106/μL), Hb (13,5±3,84 g/dL), Ht (45,7±3,58 %), VCM (16,8±3,97 fL), HCM (52,8±13,5 pg), CHCM (31,2±2,20 g/dL), leucócitos (24.433±8.779/μL), heterófilos (67,9±6,20%), linfócitos (27,3±6,51%), eosinófilos (0,80±0,86%), monócitos (3,40±0,82%), basófilos (0,53±0,51%), trombócitos (94.647±23.662/μL) e proteínas totais (6,08±0,93 g/dL). Quando os parâmetros foram comparados em relação ao sexo do animal, evidenciou-se, estatisticamente, a existência de uma diferença significativa no CHCM e nas Proteínas Totais entre os sexos. Já entre as diferentes faixas etárias, verificou-se diferenças significativas nos níveis de Eritrócitos, Hemoglobina, Hematócrito, VCM, HCM, Proteínas Totais, Leucócitos, Eosinófilos, Monócitos e Trombócitos, mostrando que a idade dos animais tem um impacto significativo em vários parâmetros hematológicos, enquanto alguns parâmetros permanecem consistentes, independentemente da faixa etária. Concluiu-se que o sangue da espécie Rhea americana apresenta as células sanguíneas em quantitativos que, quando estimados, encontram-se dentro dos padrões descritos para as aves em geral, com algumas diferenças nas características dos leucócitos em comparação aos leucócitos de outras aves e seus trombócitos possuem forma elíptica, condição descrita apenas para emas.

