Microdesmia rigida (Benth.) Sothers & Prance: prospecção de lectinas e avaliação de atividade antifúngica
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O uso contínuo e extenso de defensivos químicos na agricultura promove graves impactos no meio ambiente e na saúde das populações. A podridão causada por espécies de Fusarium, sendo as principais Fusarium falciforme e Fusarium sulawesiense, vem causando muitos danos à cultura do melão, com grande necessidade de alternativas para o manejo, sendo os biopesticidas as alternativas mais sustentáveis. As lectinas são proteínas que se ligam de forma reversível e específica a carboidratos e apresentam atividades com aplicabilidades biotecnológicas, como antimicrobiana. Microdesmia rigida (Benth.) Sothers & Prance é conhecida por apresentar alto teor de óleos fixos nas sementes, utilizados na produção industrial de tintas e vernizes. No entanto, o potencial biotecnológico da espécie quanto à constituição proteica e as propriedades biológicas relacionadas não tem sido investigado. O objetivo do trabalho foi investigar a presença de lectinas em folhas e sementes de M. rigida para a caracterização da atividade lectínica e o potencial isolamento de uma lectina, bem como avaliar seu potencial contra cepas de fitopatógenos do gênero Fusarium. Extratos brutos de folhas e sementes foram preparados em NaCl 0,15 M ou em tampão citrato-fosfato 0,1 M, pH 6,5, submetidos a fracionamento proteico com sulfato de amônio e dialisados. As amostras foram submetidas a ensaios de atividade hemaglutinante (AH), dosagem proteica e determinação de AH específica (AHE); as frações proteicas dialisadas tiveram AH caracterizada na presença de carboidratos, sob diferentes temperaturas e valores de pH, e foram caracterizadas por diferentes matrizes cromatográficas. Todas as preparações e um extrato hidroalcóolico de sementes (preparado em etanol a 95 %, EH) foram avaliados quanto ao potencial antifúngico sobre F. falciforme e F. sulawesiense. Todas as amostras apresentaram elevada AH com diferentes tipos de eritrócitos humanos, bem como teor proteico. As frações proteicas de sementes apresentaram elevada AHE (ESs-F1, AHE: 2.497,56; Ess-F2, AHE: 5.243,37; Est-F1, AHE: 5.004,10; Est-F2, AHE: 26.301,04). Os títulos de AH das amostras foram estáveis após incubações em temperaturas variando de 20 a 100 °C e foram mais elevados entre pH 6,5 e 7,5 (em faixa de pH de 4,5 a 9,0). A cromatografia de Est-F1 em quitina foi eficiente para isolar pools proteicos com atividade lectínica e elevada AHE. O EH apresentou um percentual significativo de inibição do crescimento micelial de ambas as espécies. Os dados sugerem que as sementes de M. rigida possuem lectinas termoestáveis com alta afinidade a diferentes eritrócitos e afinidade à quitina. Além disso, M. rigida possui metabólitos que inibem o crescimento de F. falciforme e F. sulawesiense, indicando seu potencial uso para a formulação de um biopesticida.
