Produced water from petroleum for irrigation use: literature review and potential for energy crops
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
A escassez de água nas regiões semiáridas e o avanço das políticas voltadas à economia de baixo carbono têm incentivado o uso de fontes não convencionais de água para fins agrícolas. Dentre elas, a água produzida (AP) oriunda da indústria do petróleo destaca-se como um recurso promissor, embora ainda subutilizado no Brasil devido às barreiras técnicas, ambientais e normativas. Assim, objetivou-se com a presente pesquisa avaliar o potencial da AP como alternativa sustentável para irrigação de cultivos bioenergéticos, por meio de uma abordagem integrada entre revisão teórica e experimentação prática. O Capítulo I apresenta uma análise bibliométrica de conteúdo sobre o uso agrícola de águas residuárias. Foi observado um crescimento recente nas publicações científicas sobre o tema, concentrados majoritariamente em países do Oriente Médio e América do Norte. Identificaram-se lacunas na legislação brasileira, na padronização de métodos de tratamento e no monitoramento ambiental, além da necessidade de mais estudos com culturas energéticas adaptadas às condições de salinidade. O Capítulo II aprofunda a discussão técnico-científica sobre a composição química da AP, os desafios de sua gestão no Brasil e o potencial de reúso na irrigação. Também destacou que as tecnologias de tratamento de AP vêm sendo testadas com bons resultados e seu reaproveitamento agrícola pode promover sinergias entre os setores de energia e agricultura, contribuindo para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). O Capítulo III relata os resultados de experimento em casa de vegetação com três espécies bioenergéticas — sorgo, capim-elefante e algodão — irrigadas com diluições de AP. Foram avaliados parâmetros físico-químicos do solo e variáveis biométricas das plantas. Os resultados indicaram que a irrigação com AP provocou aumento da salinidade e da concentração de sódio no solo, especialmente nas maiores concentrações do efluente. Apesar disso, sorgo e capim-elefante apresentaram bom desempenho vegetativo sob diluições moderadas, indicando maior tolerância aos sais em comparação ao algodão. O uso da AP na irrigação se mostrou viável, desde que observadas práticas adequadas de manejo da salinidade. Os resultados deste trabalho demonstram que a AP, quando adequadamente tratada e manejada, pode ser incorporada de forma estratégica à agricultura irrigada, contribuindo para a resiliência hídrica e a sustentabilidade produtiva em ambientes semiáridos.

