Efeitos terapêuticos de solução salina ativada por plasma atmosférico frio na cistite induzida em ratas
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A cistite intersticial/síndrome da dor vesical (CI/BPS) é uma condição inflamatória crônica, não infecciosa, que acomete humanos e felinos, caracterizada por dor suprapúbica e polaciúria. A etiologia incerta e a eficácia limitada das terapias disponíveis justificam a busca por intervenções seguras e capazes de modular a inflamação vesical. Nesse contexto, avaliou-se o meio ativado por plasma atmosférico frio (PAM), reconhecido por sua segurança biológica e propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e antimicrobianas, quanto à sua eficácia em modelo experimental de cistite induzida por H₂O₂ em ratas Wistar, em comparação à solução salina (NaCl) e ao sulfato de condroitina. Foram utilizadas 20 ratas Wistar adultas, não castradas, oriundas do Biotério de Pequenos Mamíferos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), mantidas sob fotoperíodo controlado, temperatura média de 23 °C e acesso ad libitum a água e ração. A CI foi induzida por via transuretral com dose única de 300 μL de solução de H₂O₂ a 1,5%, suspensa em 1 mL de solução salina estéril. Os animais foram alocados aleatoriamente em quatro grupos experimentais: G0 (controle, sem indução), G1 (NaCl 0,9%), G2 (sulfato de condroitina 0,2%) e G3 (solução fisiológica NaCl 0,9% tratada com plasma atmosférico frio). Todos os grupos receberam tramadol (4 mg/kg, via oral) por três dias. Após dez dias de tratamento, procedeu-se à eutanásia e às análises histopatológicas das lesões uroteliais. dicionalmente, foram mensurados desfechos funcionais (número e área de micções, volume urinário, proteinúria/UPC), hematológicos e estereológicos (VvU%, Vvlp%, Vvi%, VvCoág% e Vlúmen%). A indução mostrou-se efetiva, com ocorrência de polaciúria no segundo dia experimental. No 11º dia, observou-se redução de VvU% nos grupos G2 e G3, compatível com maior repleção vesical (relação inversa com Vlúmen%). O grupo G3 apresentou menor Vvlp% e redução de VvCoág%, aproximando-se do padrão-controle (G0), enquanto o G2 evidenciou efeito tardio, associado a remodelamento progressivo da lâmina própria. O Vvi% permaneceu elevado nos grupos induzidos, sendo, no G3, compatível com uma fase ativa de reparo tecidual. No hemograma, verificaram-se leucocitose e neutrofilia nos grupos induzidos; a trombocitose foi mais acentuada em G2, enquanto o grupo G3 manteve valores plaquetários próximos ao controle. O tratamento com NaCl (G1) não exerceu efeito modulador. Conclui-se que os tratamentos atuam por mecanismos distintos e complementares: o PAM apresentou efeito precoce, com modulação inflamatória e preservação funcional, enquanto a condroitina demonstrou efeito restaurador tardio. Ambos reduziram a perda proteica urinária e protegeram a função vesical, sustentando potencial translacional para o manejo da CI/BPS em humanos e da cistite idiopática felina, recomendando-se seguimento prolongado para confirmação da estabilidade funcional e do remodelamento tecidual.

