Qualidade, higiene e segurança dos alimentos de rua comercializados nas imediações dos hospitais de Mossoró-RN
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A comercialização de alimentos de rua é uma prática observada em muitas cidades, especialmente em locais com grande circulação de pessoas. Entretanto, sua qualidade sanitária pode ser comprometida devido a exposição a contaminantes químicos, físicos e biológicos, capazes de transmitir doenças e causar danos à saúde dos consumidores. Problemas relacionados a qualidade, higiene e segurança dos alimentos de rua são particularmente preocupantes quando observados em pontos de venda localizados nas proximidades dos hospitais, uma vez que entre os consumidores estão pessoas com saúde vulnerável. A presente pesquisa objetivou avaliar a segurança e qualidade higiênico - sanitária dos alimentos de rua comercializados em pontos de venda localizados nas proximidades dos hospitais de MossoróRN. Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, descritiva e transversal. Amostras de alimentos foram submetidas ao método macroanalítico para pesquisa de matérias estranhas, e as análises microbiológicas foram realizadas através da técnica de diluição seriada e contagem padrão em placas, para coliformes totais e termotolerantes, microrganismos mesófilos aeróbios, Salmonella spp. e Staphylococcus aureus. A coleta de dados foi realizada através da observação direta, com utilização de check list e entrevista conduzida por questionário semiestruturado. Os dados obtidos com a pesquisa foram analisados com base em estatística descritiva. Verificouse que a maioria dos vendedores era do sexo feminino (77,8%), operava em trailers (77,8%), a faixa etária variava entre 24 e 55 anos, e a maioria possuía ensino médio completo (33,3%) ou incompleto (27,8%), e uma parcela estava cursando ensino superior (16,7%). Nenhum vendedor estava adequadamente vestido para a atividade, e não utilizavam equipamentos de proteção como jalecos e toucas. O manuseio de dinheiro sem lavagem adequada das mãos, foi uma prática comum entre os vendedores, e todos relataram nunca ter participado de um curso de Boas Práticas de Manipulação. As análises microbiológicas evidenciaram contagem de microrganismos aeróbios mesófilos e coliformes em todas as amostras. E. coli foi detectada em amostras dos três tipos de alimentos analisados. Uma amostra de cuscuz recheado apresentou resultado positivo para prova da coagulase, indicando a presença de Staphylococcus aureus coagulase-positivo. Não houve resultado positivo para Salmonella spp. A pesquisa indicou presença de matérias estranhas nos alimentos analisados, com maior frequência de pelos e fios de cabelo. Os resultados sugerem falhas nas práticas de higiene durante a preparação e manipulação dos alimentos, representando um risco potencial à saúde dos consumidores. Programas de treinamento em Boas Práticas de Manipulação e segurança alimentar são fundamentais para melhorar as condições sanitárias e reduzir riscos de doenças transmitidas por alimentos. A regulamentação e fiscalização dos pontos de venda são essenciais para garantir que os vendedores cumpram os padrões de higiene e segurança necessários.

