Análise das potencialidades e dificuldades no rastreio de sífilis gestacional na Atenção Básica de Mossóro-RN
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A Sífilis Gestacional (SG), para além do acometimento da mulher, pode ser transmitida ao feto, constituindo risco para abortamentos, nascimento seguido de morte e nascimentos prematuros. Nesse liame, entende-se a urgência de que a infecção gestacional seja limitada. Para tal, protocolos de rastreio para sífilis gestacional são instituídos como normas do pré-natal, além de rígidos fluxogramas de tratamento. Assim, entende-se que o êxito na identificação e tratamento precoces da SG se reflete a partir de quedas nas taxas de infecções congênitas. Contudo, o Rio Grande do Norte tem se mostrado incompetente nesse aspecto, dado que a taxa de sífilis congênita, em 2018, ocupou o 4° lugar nacional. Dessa maneira, objetivou-se analisar as potencialidades e dificuldades na triagem para sífilis gestacional em UBSs de Mossoró. Analisou-se prontuários das gestantes acompanhadas em UBS que são campos de atuação da UFERSA, avaliando a presença de SG, bem como seu rastreio e seguimento. Foram coletados dados de 140 prontuários, distribuídos entre as unidades Dr. Lucas Benjamim, Antônio Camilo e Lahyre Rosado. Os dados foram tabulados em planilhas Excel, nas quais foram separados por UBS e, posteriormente, avaliados quanto à idade, Idade Gestacional (IG), número e tipo de exames, IG de exames, triagem para outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e a conduta em casos positivos. Todas, ao final da gestação, tinham passado por testagem pelo menos uma vez. Em contrapartida, esta ocorreu, em muitas, na idade gestacional incorreta. Uma constante em todos os trimestres foi a qualidade de preenchimento do prontuário gestacional, em que dados diversos não foram identificados. Nos casos de SG (3 em total), encontraram-se os seguintes parâmetros: 2 de 3 realizaram testagem complementar; 1 foi identificada como sífilis primária e 2 não tinha estágio identificado. Todas estavam no 1° trimestre, sendo que 2 finalizaram o tratamento e somente 1 teve confirmação de cura. Sobre a testagem para outras ISTs, observou-se uma relação positiva entre sua realização e a realização de testagem para sífilis. Identificou-se, enquanto fragilidades, principalmente: início tardio do pré natal, não implementação de teste rápido nas primeiras consultas, déficits no acompanhamento das gestantes cujos resultados são positivos, não inclusão da parceria destas no plano de cuidado e carência de dados nos prontuários. Relativo às potencialidades, identificou-se, principalmente a integração entre profissionais da enfermagem e medicina na oferta de um pré-natal mais integrado e eficiente. Conclui-se que é necessário melhor gestão do seguimento pré-natal no Município e sugere-se a formação em Educação Permanente das equipes, no fito de que, compartilhando vivências e revisando técnicas, adotem comportamentos positivos umas das outras e corrijam as fragilidades.

