Dieta e contaminação por plásticos do peixe-voador (Hirundichthys affinis) e da sardinha-bandeira (Opisthonema oglinum) no atlântico sudoeste tropical
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Os plásticos representam um fator de contaminação do ambiente marinho e tem gerado diversas preocupações com sua presença consistente e crescente neste tipo de ambiente. Esses poluentes podem afetar o homem ao ingerir especialmente os peixes contaminados com esse conteúdo. O objetivo deste estudo é caracterizar a dieta e a presença de partículas plásticas no peixe-voador (Hirundichthys affinis) e sardinha-bandeira (Opisthonema oglinum) coletados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual da Ponta do Tubarão (RDSEPT), localizada entre os municípios de Macau e Guamaré, Rio Grande do Norte. O conteúdo estomacal dos peixes foi caracterizado quanto à frequência de ocorrência e o volume, sendo estimados os valores de Índice Alimentar a partir destas informações. Para análise de microplástico, foram selecionados vinte indivíduos de cada espécie, dos quais foram selecionados os estômagos e as brânquias para extração de materiais plásticos, os quais foram classificados quanto ao tipo de material, cor e tamanho. A dieta do peixe voador foi composta principalmente por crustáceos eufausiáceos, complementada por poliquetas, ovas de peixe, insetos e megalopas de Brachyura. Já a dieta da sardinha bandeira foi composta principalmente por crustáceos peneideos, complementada por megalopas de Brachuyra, poliquetas, algas e copépodes. Para os peixes voadores, foram observados um total de 18 plásticos suspeitos em 10 peixes analisados (50%), com uma contaminação média de 1,8 item plástico, dentre os quais 13 (72,2%) eram do tipo fibras e 5 (27,8%) eram do tipo filmes. Já para a sardinha bandeira, foram observados um total de 24 microplásticos suspeitos em 10 peixes analisados, com uma contaminação média de 2,4 item plástico, dentre os quais 15 (62%) eram do tipo fibras, 7 (29%) eram do tipo fragmento e 2 (9%) eram do tipo filmes. Quanto ao tamanho, foram observados para o peixe voador 15 (83,3%) microplásticos e 3 (16,7%) mesoplásticos e para a sardinha bandeira 9 (39,1%) microplásticos, 13 mesoplásticos (56,5) e 1 (4,3%) macroplástico. A contaminação por materiais plásticos do peixe-voador e da sardinha-bandeira é realidade na área estudada, podendo inclusive, representar uma possível fonte de contaminação para a população local. Além disso, as espécies podem atuar como bioindicadores deste tipo de poluição. O presente trabalho evidencia a ocorrência de material plástico tanto no trato digestório, quanto nas brânquias das espécies estudadas, inclusive representando o primeiro registro para este tipo de estrutura. A metodologia empregada para a extração evidenciou a eficácia na exposição de micro, meso e até mesmo macroplásticos.

