O ensino da dança na escola básica: um estudo a partir do gênero masculino
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O presente texto dissertativo busca problematizar o ensino da dança na escola básica a partir das relações de gênero no contexto escolar com vistas nas definições sociais construídas e reproduzidas no espaço educacional. Para tanto, definimos como objetivo geral compreender as interpretações socioculturais na relação entre corpo, gênero e cultura, no processo de constituição dos sujeitos homens dançarinos, a partir do estudo com grupos focais. Os objetivos específicos da pesquisa, potencialmente procedimentais, consistem em identificar os fenômenos socioculturais ligados à dança no contexto escolar: Entender como a Dança é experimentada no território do currículo escolar; Discutir acerca dos principais conflitos relacionados ao gênero masculino na dança e como esses embates são vivenciados no contexto do ensino; Descrever as reinterpretações sobre homem, corpo e gênero, construídas a partir de experiências narradas por alunos dançarinos e professoras de Arte; Refletir sobre questões relativas ao gênero masculino na Dança e as suas contribuições para o ensino na escola. Este estudo se apresenta na abordagem qualitativa, visto a essencialidade do tratamento subjetivo para a realização deste estudo (VILLEGAS; GONZÁLEZ, 2011), e também na perspectiva da fenomenologia hermenêutica (MINAYO, 2008; MEDEIROS, 2016), visto a sua adequação aos estudos ligados às interpretações dos fenômenos. Portanto, a pesquisa aproxima a instituição escolar das discussões sobre corpo, gênero, arte e cultura corporal, que embora sejam muito necessárias ao contexto do ensino, aparecem desarticuladas das práticas curriculares, segundo apontamentos de estudos anteriores. Os resultados apontaram evidências de que a dança, nas suas plurais formas e expressões, se consolida muito mais fortemente nas etapas iniciais da educação básica, enquanto que nas etapas posteriores fica suprimida pela sistematização da escola. A primazia pelos aspectos conteudistas por parte da escola alimenta ideologias culturais de descredenciamento das Artes no ensino na construção de pódios de valor às áreas do conhecimento. Os resultados apontam, ainda, que há um processo de negociação entre professor e alunos para que o trabalho com a dança aconteça, sobretudo nas etapas finais do Ensino Fundamental, em que maioria dos alunos tendem a resistir às atividades corporais. Percebe-se que na escola há diferentes vivências com a dança, fato que revela a cultura escolar como determinante na abordagem das questões socioculturais que envolvem a prática da dança na escola, na comunidade e na própria região onde se vive, visto que, algumas danças são mais aceitas que outras, sobretudo as danças do folclore regional. A pesquisa ainda traz como resultado, o corpo como alvo do preconceito e os estereótipos culturais que o acompanham, bem como a ordem de gênero que emerge do discurso patriarcal social no âmbito da escola, classificando/determinando as atividades a partir do gênero. Nesse contexto, percebe-se a forte efeminação do dançarino do sexo masculino na dança, considerando a sua constante confrontação com a figura da bailarina (estereótipo cultural)
