Identidade e autodescoberta: a relação de Iñe-e e Josefa em "O som do rugido da onça", de Micheliny Verunschk
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
Resumo: No romance O som do rugido da onça (2021), Micheliny Verunschk resgata memórias e vozes dos povos originários silenciadas pela colonização. A autora, natural de Pernambuco, constrói com sua obra um diálogo entre questões históricas, ligadas à maneira como os indígenas eram vistos pelos europeus, e contemporâneas, utilizando uma linguagem poética e análises críticas. A narrativa acompanha a história de Iñe-e, uma criança da etnia miranha levada à Europa no século XIX, cuja identidade está profundamente ligada à onça, figura central da narrativa. Este trabalho analisa como essa relação entre Iñe-e e o encantado transcende o tempo e ressurge na jornada de Josefa na contemporaneidade, uma jovem em busca de suas origens indígenas, por meio de aproximações entre as duas personagens. O rugido da onça simboliza um chamado ancestral, atravessando gerações e promovendo a reconexão identitária. Como referencial teórico, utilizamos Ailton Krenak (2019) para discutir a cosmologia indígena e a interligação entre humanos e natureza, Márcio Goldman (2015) para refletir sobre a possibilidade de escapar dos sistemas majoritários de dominação, e Michel Foucault (1978), quem analisa como as estruturas de poder moldam a memória coletiva, determinando quais histórias são preservadas ou silenciadas. Dessa forma, este estudo evidencia como O som do rugido da onça não apenas resgata memórias dos povos indígenas silenciadas pela colonização, mas também propõe uma reflexão sobre identidade e resistência. Através da relação entre Iñe-e e a onça, bem como da jornada de autodescoberta de Josefa, a obra demonstra como a memória coletiva e individual pode ser um instrumento de luta contra o apagamento histórico. Ao articular literatura, cosmologia indígena e teoria crítica, a análise reafirma a importância de reconhecer e valorizar as vozes indígenas na construção de narrativas que questionam as estruturas de poder e promovem novas formas de pertencimento e identidade.

