Rotinas na educação infantil e a organização de tempos e espaços
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Compreendemos a rotina como categoria pedagógica que os responsáveis pela Educação Infantil estruturam para organizar o trabalho cotidiano das crianças nas instituições (Barbosa, 2006). Além disso, o presente trabalho aborda de maneira especial dois dos quatros elementos que constituem a organização da rotina, sendo eles: a organização do ambiente e o uso do tempo. Este trabalho é fruto de uma pesquisa qualitativa que tem como objetivo, investigar modos de constituição de rotinas na Educação Infantil considerando a organização de tempos e espaços em uma instituição educativa pública, na cidade de Angicos, no Estado do Rio Grande do Norte. Para alcançar esses objetivos, nos ancoramos na abordagem de pesquisa qualitativa (Freitas, 2003), assumimos a abordagem histórico-cultural de Vigotski (2005; 2007) e nas proposições do dialogismo de Mikhail Bakhtin (1995; 2003). Utilizamos como procedimento metodológicos para a construção dos dados, o questionário de caracterização das professoras, respondido pela professoras participantes; observação participante (com registros fotográficos e audiovisuais, anotadas em diário de campo); entrevista semiestruturada individual; entrevista semiestruturada coletiva (todas gravadas); transcrições de todas as entrevistas realizadas. Para fins de análise documental, realizamos o levantamento bibliográfico, através de artigos no Portal de Periódicos da CAPES. Para melhor análise dos dados, organizamos a escrita em dois eixos estruturantes: rotinas e espaços. No primeiro eixo, trazemos os sentidos e as práticas das professoras, com base nas observações de campo, no que diz respeito às rotinas institucionais; ao planejamento e organização das rotinas diárias e as atividades permanentes. No segundo e último eixo, discutiremos a organização da sala de referência e da sala de leitura compreendidos como espaços internos, e os parques compreendidos como espaços externos e suas contribuições para as aprendizagens das crianças. Os resultados revelam que de fato existem tipos de rotinas presentes no cotidiano dessas professoras e crianças, e que, no entanto, se encontram fixas a um cronograma institucional ou a momentos já rotineiros que não presenciam alternância, seja nos tipos de atividades, quanto nos tempos de execução em suas composições diárias. Concluímos que o presente trabalho pode contribuir para compreensão e reflexão acerca de um currículo que vise a organização das rotinas que leve em consideração as especificidades e os ritmos das crianças na Educação Infantil.

