Impactos de um semestre suplementar pós-greve: a voz de uma amostra de estudantes no Ensino Superior Federal.
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O presente estudo analisa os impactos da implantação de um semestre suplementar após a greve nacional da educação federal de 2024, a partir da percepção de estudantes de uma Universidade Federal do Nordeste Brasileiro. A pesquisa insere-se no contexto das paralisações nas universidades públicas federais e das estratégias institucionais de reorganização dos calendários acadêmicos, com destaque para o modelo intensivo por blocos. O problema de pesquisa buscou compreender de que forma o semestre suplementar impactou a aprendizagem, a organização acadêmica e a saúde mental dos estudantes. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa aplicada, com abordagem quantitativa e qualitativa, objetivo descritivo e procedimento do tipo survey. A população era composta por 1.290 estudantes regularmente matriculados, dos quais 50 participaram da pesquisa, com margem de erro de ±11,41% e 90% de confiança. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário virtual, aplicado entre junho e novembro de 2025. Os resultados indicam que, embora o semestre suplementar tenha possibilitado a continuidade acadêmica, a maioria dos estudantes relatou dificuldades relacionadas ao ritmo acelerado, à sobrecarga de atividades e à concentração de avaliações, além de prejuízos na aprendizagem e impactos negativos na saúde mental. O nível de satisfação geral mostrou-se predominantemente neutro a moderado, reconhecendo o modelo como útil em situações emergenciais. Conclui-se que o semestre suplementar pode ser adotado como medida excepcional, desde que acompanhado de planejamento pedagógico adequado e suporte institucional ao estudante.

