As contribuições do movimento neurodiversidade para o AEE: discutindo a importância dos múltiplos olhares docentes promovida por vozes neurodivergentes
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Com base nas discussões contemporâneas sobre inclusão e direitos humanos, esta pesquisa investiga de que modo o movimento da neurodiversidade pode contribuir para repensar o Atendimento Educacional Especializado (AEE), a partir das experiências e narrativas de pessoas neurodivergentes. Embora a inclusão escolar, prevista na LBI nº 13.146/2015 e na Política Nacional de Educação Especial, represente um avanço, ainda persiste a reprodução de práticas capacitistas e fragmentadas. Nesse sentido, o estudo problematiza o papel do AEE diante dos desafios da corresponsabilidade entre ensino comum e educação especial. De abordagem qualitativa e caráter exploratório, a pesquisa fundamenta-se nos estudos críticos da deficiência e da neurodiversidade (Singer, Nuernberg, Mello, Campbell, entre outros) e tem como corpus entrevistas com 16 participantes — professores da educação regular, profissionais do AEE, ativistas e pessoas neurodivergentes. A análise evidenciou tensionamentos entre discurso inclusivo e prática institucional, destacando que o AEE não deve ser compreendido como único responsável pela inclusão, nem atuar de forma isolada ou compensatória. Os resultados indicam a importância das práticas de resistência e do protagonismo docente, bem como da valorização da “escrita de si” como estratégia para romper a invisibilização das vozes neurodivergentes no espaço escolar. Defende-se, assim, um trabalho coletivo, dialógico e formativo entre os profissionais da educação, capaz de consolidar práticas inclusivas efetivas.

