Avaliação do cuidado pré-natal na rede de atenção básica: um estudo na comunidade Maísa – zona rural de Mossoró/RN
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O Ministério da Saúde preconiza que a assistência pré-natal efetiva e de qualidade é um direito da mulher e dever do Estado, visto que a gestação é um período do ciclo feminino que repercute em alterações fisiológicas e psicossociais para a mulher e no contexto familiar. Entretanto, quando se aborda a questão do pré-natal na população inserida na zona rural, deve-se enfatizar que ela apresenta dinâmica e espaços sociais peculiares e complexos. Desse modo, há fatores inerentes a realidade das mulheres rurais que corroboram para a dificuldade de acesso às ações de saúde, como às desigualdades das relações de gênero e de trabalho, às distâncias entre o domicílio e a unidade de saúde, os serviços locais que podem ser inadequados e dificuldades de gestores e profissionais de saúde em ofertar cuidado em saúde que abarque as especificidades dos agravos intrínsecos do meio rural. Este trabalho objetivou avaliar os serviços de assistência pré-natal ofertados na Unidade Básica de Saúde Dr. Paulo Jansen da Agrovila Apodi do Assentamento Maísa, localizado no município de Mossoró/RN. A pesquisa realizou um estudo transversal do tipo exploratório, baseado no modelo de Avedis Donabedian que possibilitou avaliar a qualidade da assistência pré-natal a partir da utilização de indicadores representativos de estrutura e processo. A análise da estrutura constou de quinze (15) módulos de itens que foram avaliados por observação direta do pesquisador responsável, que foi embasado nos parâmetros presentes no Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). Em relação à análise do processo, foi realizado o estudo dos registros em prontuários. Os dados foram tabulados e analisados com auxílio da ferramenta Excel, e foi realizada a análise da adequação do acompanhamento pré-natal através do Índice de Kessner, adaptado por Takeda em 1993. Com a conclusão do trabalho foi evidenciado a categorização da assistência pré-natal na amostra estudada como intermediária, com percentual significativo de gestantes que iniciaram tardiamente o pré-natal. Contudo, foi verificado a falta de registros médicos em prontuários durante a assistência à gestante, não contemplando as recomendações do Ministério da Saúde. Percebeu-se a necessidade da validação de métodos qualitativos capazes de avaliar integralmente a atenção à saúde do binômio materno-fetal e a necessidade de promover a integralidade do Sistema Único de Saúde, fomentando aporte estrutural e de insumos para facilitar o acesso dos usuários e a educação permanente dos profissionais da saúde para atenuar as fragilidades assistenciais à saúde materno-infantil da população do campo.
