Caracterização fenotípica e molecular de Acinetobacter spp. resistentes aos carbapenêmicos provenientes de amostras clínicas hospitalares de Mossoró-RN
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Acinetobacter spp. abrange patógenos oportunistas considerados de grande interesse do ponto de vista clínico. Acinetobacter baumannii, principal representante do gênero, é frequentemente descrita como causadora de infecções relacionadas à assistência à saúde. Por possuírem resistência antimicrobiana intrínseca a diversas drogas e propensão a adquirir mecanismos exógenos de resistência, esses microrganismos comprometem a qualidade dos sistemas de saúde a nível global. Tendo em vista a necessidade de vigilância sobre esse patógeno para a elaboração de medidas de contenção de surtos hospitalares, o objetivo deste estudo foi determinar o perfil fenotípico e genotípico de resistência em isolados clínicos de Acinetobacter spp. de um hospital de Mossoró-RN. Um total de 48 isolados identificados como Acinetobacter spp. e resistentes a pelo menos um carbapenêmico, bem como seus respectivos dados, foram coletados entre 2019 e 2023. Para confirmar a identificação dos isolados foi realizada a detecção do gene blaOXA-51, intrínseco de A. baumanii. O perfil de resistência foi determinado por meio do Teste de disco-difusão em ágar (Kirby-Bauer). Os genes de carbapenemases foram identificados através da técnica de PCR. Foi possível observar que a maioria dos isolados foi oriunda de aspirado traqueal e fragmento de lesão. Além das altas taxas de resistência para os carbapenêmicos e cefalosporinas, foram detectadas altas taxas de resistência acima de 70% para todas as outras classes testadas. O gene de resistência mais prevalente foi o blaOXA-23. Também foram detectados os genes blaKPC, blaVIM, blaIMP, blaNDM e blaOXA-143. Em alguns isolados foi detectado mais de um gene codificante de carbapenemases. Portanto, esses dados reafirmam que Acinetobacter spp. é um gênero bacteriano disseminado em ambientes hospitalares que apresenta alta capacidade de obtenção de mecanismos de resistência a diversos antimicrobianos, tornando cada vez mais escassas as alternativas terapêuticas para o tratamento. Por isso, medidas de vigilância e contenção desses patógenos são necessárias.
