Alimentos e identidades em contos contemporâneos

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar as tematizações dos alimentos a partir do sentido identitário e sexual em contos da década de 1980. Argumenta-se que as manifestações de sentidos produzidos pela cena alimentar podem suscitar uma reflexão crítica acerca da formação identitária feminina, bem como da sua sexualidade. Foram utilizados como corpus desta análise os contos “I love my husband”, de Nélida Piñon, e “Flor do cerrado”, de Maria Amélia Mello, presentes na antologia Os cem melhores contos brasileiros do século (2009), organizada por Italo Moriconi. Conclui-se que as representações dos alimentos nos contos atuam como um recurso indispensável no reconhecimento dos sujeitos em seus papéis específicos, no que se refere a sua vida privada e como parte de um coletivo. Resulta-se também desse estudo que a metáfora alimentar situa os indivíduos nos papéis passivo/ativo nas relações sexuais, operando como uma ferramenta de poder que oportuniza à mulher a manifestação da sua sexualidade e subjetividade.


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