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"Advocacia da Maconha": moralidades, redes e trajetórias de um profissionalismo engajado

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Esta pesquisa tem por objetivo analisar um grupo de advogados e advogadas que trabalham com questões relacionadas à maconha no Brasil, explorando os sentidos e significados que os profissionais dão à sua atuação em um cenário ainda proibicionista. Considerando as tensões entre as normas jurídicas, as crescentes demandas por regulamentação e os debates legislativos e judiciais sobre o tema, a análise se centra em entender o que “une” esse grupo específico de profissionais e o que o “diferencia” de outros grupos de advogados(as), investigando a existência de uma identidade profissional compartilhada. Trata-se de uma pesquisa essencialmente qualitativa, cujo foco especial na advocacia visa tecer uma compreensão mais profunda das relações sociais e profissionais que permeiam a pauta da maconha dentro do campo jurídico amplamente considerado. Adota uma perspectiva sociológica por compreender que a pesquisa empírica no Direito necessita da interdisciplinaridade. O método de coleta de dados corresponde à realização de sete entrevistas de tipo narrativo com advogados e advogadas engajados, além da observação participante em um grupo virtual autodenominado “Advocacia da Maconha”. Os resultados revelam que esse grupo profissional se organiza em torno de três elementos centrais: a “causa”, como justificativa moral e política para sua atuação; as “redes”, que possibilitam cooperação, troca de conhecimento e fortalecimento da prática profissional; e as “trajetórias”, que demonstram a construção de uma identidade coletiva a partir das experiências pessoais e profissionais dos entrevistados. O grupo também evidencia que sua prática vai além de uma advocacia “convencional”, envolvendo militância jurídica, mobilização política e colaboração em redes profissionais. Além disso, os entrevistados se entendem como parte de um coletivo engajado, no qual a troca de conhecimento e as trajetórias individuais fortalecem uma identidade compartilhada. A análise demonstrou que nem todos os advogados envolvidos com a pauta são, de fato, advogados(as) da maconha e que eles, enquanto grupo, operam em um espaço de disputa simbólica no qual se percebem como agentes de um processo gradual de mudança no entendimento jurídico e social sobre a maconha, abrindo novos caminhos e possibilidades para a atuação profissional.



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