Descrição das vocalizações defensivas da lagartixa Phyllopezus pollicaris (Gekkota: Phyllodactylidae)
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
A comunicação desempenha um papel central no comportamento animal, influenciando interações sociais entre indivíduos. Entre os répteis Squamata, os lagartos da linhagem Gekkota são os únicos que possuem cordas vocais verdadeiras e podem emitir sons em diversos contextos. Phyllopezus pollicaris, um lagarto Gekkota, possui ampla distribuição geográfica, abrangendo um complexo de espécies crípticas, algumas ainda não descritas. Neste estudo, descrevemos as vocalizações defensivas de P. pollicaris de um mesmo clado provenientes de três localidades do semiárido no Rio Grande do Norte. Adicionalmente, testamos a influência do tamanho do corpo e sexo sobre os parâmetros acústicos do tipo decanto mais comum. Os indivíduos foram capturados por meio de buscas ativas. Em laboratório, nós simulamos eventos de predação em que, um dos autores manipulou sistematicamente cada indivíduo, gerando estímulos de captura. Os cantos emitidos foram gravados por dois minutos com um gravador profissional e um microfone direcional. Classificamos os cantos defensivos com base na estrutura do canto e analisamos os seguintes parâmetros acústicos: duração do canto, frequência mínima, frequência dominante e amplitude de frequência. Analisamos 59 gravações de indivíduos adultos, 30 fêmeas e 29 machos que totalizaram 788 emissões. Todos os cantos possuíram uma única nota, apresentaram baixa amplitude de frequência quando comparados a maioria dos gecos e foram classificados em oito tipos: o canto Multipulsionado correspondeu a quase 40% do total de emissões, seguido pelo canto do tipo Combinado (24%), com modulação de frequência em Sino (16%) e sinuoso (11%). Já os cantos dos tipos Pulsado, bem como os com modulação de Ascendente, Descendente e Invariante somaram juntos cerca de 10% das emissões. Quando comparamos os oito tipos de canto mais frequentes, os cantos do tipo Combinado e Sinuoso foram mais longos que os demais. A frequência mínima foi mais alta nos cantos Pulsado do que nos Combinado, Multipulsionado, Sino e Sinuoso. Os cantos do tipo Descendente tiveram a menor frequência dominante em relação aos cantos Combinado, Multipulsionado, Sino e Sinuoso. O tamanho corporal somente influenciou negativamente a frequência dominante, enquanto o sexo dos indivíduos não influenciou qualquer parâmetro acústico, o que era esperado devido à ausência de dimorfismo sexual nesta espécie. Nossos achados contribuem para a compreensão de como a comunicação baseada em sinais acústicos varia entre os Gekkota através da descrição inédita dos sons defensivos de P. pollicaris.

