Comportamento de abelhas europeias e africanizadas frente ao ácaro Varroa destructor e ao fungo Vairimorpha spp. em região semiárida do Brasil
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O distúrbio do colapso das abelhas é um fenômeno que vem preocupando produtores e estudiosos, pois enxames estão sumindo de suas colmeias deixando alimentos e crias para trás sem motivos aparentes. As doenças e condições climáticas têm sido apontadas como os principais fatores para esse desaparecimento das abelhas, sendo a Varroatose e a nosemose as principais doenças que vem disseminando as colônias pelo mundo. As abelhas Apis mellifera chegaram ao Brasil por meio introdução da abelha europeia em 1830, apresentando baixa defensividade e gerando interesse na atividade por produtores, mas com sua disseminação no país em regiões de clima mais quente apresentou baixa produção de mel, e pelo interesse demonstrado na produção e necessidade de buscar abelhas mais adaptáveis, foram introduzidas abelhas africanas, havendo o cruzamento na natureza entre as subespécies e gerando o polihibrido abelha africanizada, que apresenta alta produtividade e muito comportamento defensivo. Todavia, a defensividade das abelhas africanizadas vem gerando descontentamento entre os apicultores brasileiros, que estão buscando a reintrodução das abelhas europeias no país com a finalidade de reduzir essa característica, levando à preocupação quanto a sanidade e desenvolvimento destas colônias nas diversas regiões. Dessa forma, objetivou-se analisar a resposta comportamental de colônias de abelhas africanizadas e europeias quanto a infestação do ácaro Varroa destructor e infecção pelo fungo Vairimorpha spp. em região semiárida. Para isso, foi desenvolvido um estudo utilizando 10 colônias de abelhas africanizadas e 8 colônias europeias Buckfast, durante cinco meses,. A avaliação comportamental das colônias foi realizada por meio da coleta de dados referentes ao ácaro V. destructor, sendo taxa de infestação em abelhas adultas e pupas, comportamento higiênico sensível a Varroa (CHSV) e grooming, e a taxa de infecção por Vairimorpha spp. Os dados apontam para diferenças estatisticamente significativas entre a resposta das abelhas africanizadas e europeias, sendo: p <0,0001 para taxa de infestação por V. destructor em abelhas adultas; p = 0,00697 para taxa de infestaçâo por V. destructor em pupas; p = 0,010144 para comportamento de CHSV; p = 0,02533 para comportamento de grooming; e p = 2,28551-10 para taxa de infecção por Vairimorpha spp. As abelhas europeias demonstraram maior vulnerabilidade, apresentando as maiores taxas de infestação por V. destructor tanto em abelhas adultas quanto em pupas, além de uma taxa elevada de infecção por Vairimorpha spp., enquanto que as abelhas africanizadas apresentaram maior expressão do comportamento higiênico sensível a Varroa e comportamento de grooming. As abelhas africanizadas se mostraram mais resistentes e tolerantes ao ácaro e ao fungo em condições semiáridas, enquanto que as abelhas europeias se mostraram menos resistentes e não se desenvolveram de forma satisfatória nas condições do experimento. A reintrodução das abelhas europeias no Brasil representa um risco potencial para a apicultura, pois essas colônias demonstraram menor tolerância à presença do V. destructor e do Vairimorpha spp.

