Bioacumulação e ampliação biológica de metais em cadeias alimentares estuarino costeiras do semiárido brasileiro
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Uma preocupação atual em relação aos ecossistemas estuarinos está associada ao impacto causado por metais lançados nesses ambientes e como podem vir a afetar a saúde de organismos silvestres que o habitam. O presente estudo foi separado em três capítulos, sendo que o primeiro teve por objetivo mensurar as concentrações dos metais Zn, Fe, Cu, Mn, Cr, Ni, Cd e Pb em penas da espécie Conirostrum bicolor em duas áreas de mangue; Porto do Mangue e Grossos, ambos localizados no Rio Grande do Norte, comparando sua relação com a ocorrência de micronúcleos e outras anormalidades nucleares em células sanguíneas. Também avaliamos as concentrações dos metais em função da área e períodos sazonais. No período chuvoso, os níveis de Zn, Fe, Cr e Pb foram significativamente mais elevados. Em relação às anormalidades nucleares, indivíduos de Porto do Mangue apresentaram maiores ocorrências de ANE’s. No período chuvoso, houve maior incidência de ANE’s. Metais como Zn, Fe e Ni mostraram relação positiva com a ocorrência de anormalidades totais (ANTO), enquanto o Cr foi associado ao aumento de MN. O segundo capítulo buscou caracterizar os perfis de contaminação por metais (Cu, Mn, Zn, Fe, Cr, Ni, Cd e Pb) em ecossistemas de manguezais do semiárido brasileiro, avaliando: a) a bioacumulação em invertebrados bentônicos e peixes b) e a biomagnificação através das relações presa-predador. Os resultados revelaram maiores níveis dos metais Cu, Mn, Zn, Fe, Cr e Ni nos sedimentos, sugerindo este compartimento como importante reservatório de contaminantes. O Cd e Pb foram mais elevados nas águas superficiais apontando para uma maior solubilidade desses metais na água. Foi evidenciado a biomagnificação de Zn, Fe, Cr, ni e Pb na guilda Invertívora e Cu, Fe, Ni, Cd e Pb na guilda Piscívora. Já o terceiro capítulo investigou os padrões de bioacumulação dos metais (Zn, Fe, Cu, Mn, Cr, Ni, Cd e Pb) em aves do semiárido brasileiro, com enfoque em quatro aspectos principais: (1) influência da área geográfica; (2) efeito do status de deslocamento (espécies residentes versus migratórias); (3) papel da posição trófica; e (4) variações sazonais nas concentrações desses contaminantes. Adicionalmente, buscou-se avaliar as correlações entre os níveis de metais encontrados em penas e sangue, como forma de compreender melhor a dinâmica temporal da exposição a esses poluentes. Os resultados revelaram diferenças significativas nos níveis de metais entre as áreas: Fe e Cu foram mais elevados em penas de aves de Grossos (GR), enquanto Mn, Cr e Ni foram mais elevados no sangue de aves de Porto do Mangue (PM). Observamos maiores níveis de Cr e Ni em penas de aves residentes, enquanto migratórias acumularam mais Mn e Cr no sangue. A sazonalidade também influenciou nos níveis de metais observados, com Zn e Cd em penas mais elevados na estação seca e Cr, Ni e Pb na chuvosa. Em sangue observamos níveis de Mn Cr e Ni na estação seca e Cu e Cd na estação chuvosa. Quanto às guildas alimentares, insetívoras (Ins), invertívoras (Inv), Piscívoras (Pisc) tiveram maiores níveis de Zn e Mn e Pb em penas, e onívoras (Omn) destacaram-se em Cu no sangue. Correlações positivas entre penas e sangue foram observadas para Cr, Ni e Pb, indicando bioacumulação consistente, enquanto Cu apresentou correlação negativa, possivelmente devido a seu papel na síntese de melanina. Ainda, os níveis de metais obtidos neste trabalho foram inferiores ou semelhantes a níveis verificadas em outros estudos em áreas costeiras, no entanto, concentrações de Pb e Cd causaram preocupação, visto que não possuem função nos organismos e causam toxicidade em baixas concentrações.

