Educação, literatura e capitalismo: a opressão das mulheres em O papel de parede amarelo e a Imitação da Rosa
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A opressão das mulheres, enquanto fenômeno histórico e social, manifesta-se de maneira particularmente contundente na literatura, que não apenas reflete as contradições da sociedade capitalista, mas também as problematiza. Ao longo dos séculos, obras literárias têm desempenhado um papel fundamental na exposição das formas de silenciamento, controle e disciplinamento a que as mulheres são submetidas, revelando como normas de gênero e relações de poder atravessam subjetividades e condicionam modos de existir. Dessa forma, este trabalho analisa como a literatura representa a opressão das mulheres nas estruturas capitalistas e patriarcais, a partir das obras O papel de parede amarelo, de Charlotte Perkins Gilman, e A imitação da rosa, de Clarice Lispector. Fundamentada no materialismo histórico e no realismo crítico de Lukács, a pesquisa articula crítica marxista e crítica feminista para compreender como educação, classe e gênero moldam as personagens femininas e suas experiências de opressão e silenciamento. As análises revelam que ambas as narrativas expõem a internalização da submissão como forma de sobrevivência e evidenciam o papel da educação na reprodução das desigualdades de gênero. Conclui-se que a literatura, ao representar tais contradições, atua como instrumento de crítica social e de desnaturalização das formas históricas de opressão feminina.

