Ofidismo no estado do Ceará: Uma análise epidemiológica
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Os acidentes ofídicos são um sério problema de saúde pública, negligenciados mundialmente. O Brasil é o terceiro país com mais casos no mundo. São causados principalmente por serpentes peçonhentas dos gêneros Bothrops, Crotalus, Micrurus e Lachesis. Embora haja tratamento com antipeçonha, óbitos e sequelas persistem devido a dificuldades de acesso à assistência e falta de preparo dos profissionais de saúde. É essencial compreender a epidemiologia desses acidentes para orientar medidas de prevenção e controle, especialmente devido à rica diversidade de serpentes no Brasil e ao impacto significativo desses acidentes. O presente trabalho teve como objetivo realizar um diagnóstico situacional dos acidentes ofídicos no estado do Ceará no período que compreendeu os anos de 2013 a 2022. Trata-se de um estudo transversal de caráter descritivo, onde foram coletados dados do DATASUS, sendo organizados e discutidos, tendo, como base a literatura já existente sobre o assunto. Durante o período de estudo ocorreram 6.332 notificações de acidentes por serpentes em todos os 184 municípios do Ceará. As Jararacas (Bothrops) lideraram os ataques com 67,59%, seguidas por serpentes não peçonhentas (19,47%), Cascavéis (Crotalus) (9,33%), Corais Verdadeiras (Micrurus) (3,18%) e Surucucus (Lachesis) (0,45%). Em 13 municípios ocorreram mais de 100 notificações por acidentes ofídicos. Os casos aumentaram de 2013 a 2019, depois diminuíram, possivelmente devido à pandemia de COVID-19. Os meses de junho (754 casos) e julho (753 casos) tiveram o maior número de notificações. Homens representaram 77% dos acidentados. A faixa etária mais afetada compreendeu a de entre 20 a 59 anos (63,47%). A maioria das vítimas (34,72%) tinha pouca escolaridade (analfabetos ou até o ensino fundamental incompleto). A região anatômica que mais foi acometida foi o pé (48,29%). A maioria dos casos não estava relacionada ao trabalho (64%). A soroterapia foi usada em 62% dos casos, e boa parte dos casos foi classificada como leve (61,35%). No período foram registrados 28 óbitos. Dessa forma, o presente estudo definiu o perfil epidemiológico dos acidentes ofídicos no estado do Ceará, assim como sua distribuição espacial no território desta unidade federativa.
