Dinâmica do atropelamento sobre a diversidade taxonômica e funcional de aves no semiárido brasileiro
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O surgimento e o estabelecimento de rodovias próximas a áreas com algum grau de complexidade na paisagem (como mosaicos florestais com áreas agrícolas, de pastagens, savanas e com vegetação ripária) pode interferir na dinâmica faunística que se utiliza de recursos locais. No Semiárido brasileiro inserido no domínio Caatinga, a paisagem é marcada por forte sazonalidade e disponibilidade limitada de recursos ao longo do ano. A análise da diversidade funcional tem se mostrado uma abordagem eficaz para compreender os efeitos dos atropelamentos sobre as comunidades de aves, indicando que os atropelamentos não ocorrem de forma aleatória, mas estão fortemente associados a traços funcionais. O presente estudo tem como objetivo geral, avaliar se a composição da paisagem e a sazonalidade influenciam na diversidade taxonômica e funcional de aves a partir dos atropelamentos em rodovias do semiárido brasileiro. Esperava-se que a estação chuvosa e maiores proporções de agricultura, formação florestal e savana estivessem associadas a maior diversidade taxonômica e funcional das aves atropeladas, enquanto a estação seca e maiores proporções de solo exposto e áreas urbanas estariam associadas a menor diversidade taxonômica e funcional dessas aves. Os modelos indicaram efeitos significativos da composição da paisagem e da sazonalidade sobre a diversidade taxonômica e funcional das aves atropeladas. Para a diversidade taxonômica (índices de Shannon–Wiener e Simpson), observou-se associação negativa com as proporções de agricultura, áreas urbanas e corpos hídricos no entorno das rodovias, bem como com a estação seca, indicando menor diversidade de espécies atropeladas nessas condições. De forma semelhante, a diversidade funcional apresentou associações negativas significativas com agricultura, áreas urbanas e corpos hídricos para os índices FRic, FEve e FDiv, indicando menor diversidade de traços entre as aves atropeladas. Em contraste, a estação seca apresentou efeito positivo significativo apenas sobre o índice FRic, indicando maior amplitude de traços funcionais entre as espécies atropeladas nesse período. Esses resultados enfatizam a importância de considerar a estrutura da paisagem como um filtro ecológico, capaz de moldar a composição das espécies presentes na paisagem e influenciar os padrões de atropelamento.

